
Papel de Einar Wegener/Lili Elber rendeu mais uma indicação ao Oscar para Eddie Redmayne, que venceu o prêmio em 2015 pela sua interpretação de Stephen Hawking em ‘A teoria de tudo’
Questões de gênero, sexo, identidade sexual etc. estão mais que presentes em nosso cotidiano, envolvendo discussões a respeito de religião, costumes, moral, ciência e psicologia, entre outras. Histórias como a do ex-atleta americano Bruce Jenner, que após a cirurgia de mudança de sexo trocou seu nome para Caitlyn Jenner, ainda causam espanto e repulsa entre muitos. Mas para uma parcela significativa da sociedade, trata-se de uma decisão pessoal baseada na forma como o indivíduo se enxerga, uma opinião incomum há pouco menos de um século, como pode ser visto em “A garota dinamarquesa”, produção de Tom Hooper (“O discurso do rei” e “Os miseráveis”) que chega esta semana aos cinemas de Juiz de Fora e conta a história real do primeiro ser humano a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Como base, o roteiro adaptou para a tela grande o romance de mesmo nome, escrito por David Ebershoff.
A figura em questão é o pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener (Eddie Redmayne, Oscar de melhor ator em 2015 por “A teoria de tudo”), que levava uma vida tranquila na Copenhague da década de 1920 ao lado da esposa, a também artista plástica Gerda (Alicia Vikander). As convicções que Einar parece ter a respeito de sua vida começam a ruir no dia em que sua mulher pede que ele substitua uma modelo e use roupas femininas para que ela termine uma obra. O ato, inicialmente tratado em forma de brincadeira, desperta algo que o artista não imaginava existir dentro de si, e acaba por transformar (literalmente) sua vida, a ponto de ele descobrir o seu “eu” feminino e se submeter à cirurgia de mudança de sexo – algo inédito até então -, passando a ser conhecido como a “garota dinamarquesa” Lili Elber.
Ainda que a crítica tenha apontado na produção alguns dos cacoetes do diretor que tiram um pouco da força de suas obras – entre eles um glamour excessivo do passado, capaz de fazer um prostíbulo francês tão asseado quanto um hospital ou uma loja da Apple -, Tom Hooper consegue fazer com que “A garota dinamarquesa” seja um filme que trata com delicadeza, sem exageros ou tons panfletários, uma história de descoberta e transformação num período em que o preconceito em todas as matizes poderia ter, em determinados países, o amparo da própria lei.
Outro fator que conta positivamente para o filme são as atuações do casal de protagonistas. Eddie Redmayne mais uma vez parte para um processo de imersão em seu personagem parecido com o do Stephen Hawking de “A teoria de tudo”, e Alicia Vikander consegue fazer com que sua Gerda se torne tão ou mais importante para o sucesso do filme que o/a protagonista, ao saber transmitir pelo olhar a percepção de que há algo de diferente no marido e ser o alicerce para a transformação de Einar em Lili – tudo isso enquanto precisa lidar com a dor da perda do companheiro. Não à toa, a dupla foi indicada para os Oscars de ator e atriz coadjuvante – o longa ainda foi indicado a figurino e design de produção.
A GAROTA DINAMARQUESA
UCI 4: 15h30 e 20h20
Palace 2 (dub): 19h10 e 20h20 (exceto segunda-feira)
Classificação: 14 anos

