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Todo mundo junto e misturado

em cinco anos de desfile o come quieto ja arrastou mais de 16 mil pessoas pelas ruas do alto dos passos

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Em cinco anos de desfile, o Come Quieto já arrastou mais de 16 mil pessoas pelas ruas do Alto dos Passos
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Em cinco anos de desfile, o Come Quieto já arrastou mais de 16 mil pessoas pelas ruas do Alto dos Passos

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Se as Escolas de Samba não cruzarão a Avenida Brasil em 2016, o Come Quieto, bloco que já arrastou mais de 16 mil pessoas em cinco anos, também pode não fazer o tradicional desfile no Alto dos Passos. O prazo dado pela Funalfa para que as entidades solicitem o alvará para eventos carnavalescos termina no próximo dia 23 de dezembro, e a agremiação não entrou em acordo com a Sociedade Pró-Melhoramentos do Bairro (SPM) para a realização da festa. Enquanto isso, Parangolé Valvulado e Domésticas de Luxo já se dedicam aos preparativos e planejam tomar as ruas durante o Corredor da Folia, realizado pela Funalfa entre 28 de janeiro e 5 de fevereiro de 2016. A programação para os nove dias de festa antecipada ainda não está fechada.

“A Associação de Moradores não nos deu a autorização exigida pela Prefeitura, por isso não temos como dar entrada no processo”, afirma Luiz Gustavo Maciel, um dos diretores do Come Quieto. Ele afirma que não existe a possibilidade de levar o desfile com a configuração atual para outro ponto da cidade.

“A gente sabe que esse formato, com bares em volta, como se fosse um camarote, é que sempre gerou esse sucesso. Não é um simples arrastão de pessoas. Nosso receio é tirar dali e tirar o perfil do público e do evento. Queríamos manter a folia com a banda infantil na abertura e a banda de marchinha no encerramento. Outro lugar é outro público e outra conformação de espaço. Fica difícil reproduzir esse modelo”, observa o diretor.

De acordo com a presidente da SPM, Ruth Maria Savino da Matta, o problema não é o desfile, mas os eventuais transtornos ocorridos após o fim da festa. “Não temos nada contra a música. A questão é o que vem atrás dela. O Alto dos Passos virou referência para a cidade toda, e todo mundo vem para cá. Quando o conjunto acaba de tocar, os músicos vão embora e ficam a briga e a confusão. Nós temos o Terreirão do Samba, por que não fazem o carnaval lá, colocando segurança, ambulância e banheiro químico? Hoje, está tudo muito perigoso, e os moradores perdem o direito de ir e vir, deixam o carro na garagem e vão a pé. Essa é a palavra final da SPM.”

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Conforme a assessoria de imprensa da Funalfa, será realizada uma reunião, ainda sem data definida, entre o superintendente da instituição e representantes do Come Quieto para decidir a participação do bloco no Corredor da Folia. A assessoria também informou que a fundação não recebeu qualquer informação da SPM e dos músicos sobre a não realização do desfile.

Agora é pop

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A notícia boa é que, mesmo que o bloco não vá para as ruas do Alto dos Passos, o carnaval do Come Quieto deve acontecer em um lugar fechado. “Estamos buscando alternativas para isso. Ficamos extremamente chateados com esse posicionamento porque, em cinco anos, nunca houve uma ocorrência”, comenta Luiz Gustavo.

Como aquecimento, já está prevista a feijoada do dia 16 de janeiro, das 13h às 18h, no Independência Trade Hotel, e o repertório é pop. “Resolvemos investir em algo que levante o pessoal”, conta Luiz Gustavo. Nos últimos carnavais, o gênero que consagrou Lulu Santos é o responsável pela multidão dos desfiles. “‘Toda forma de amor’ virou um clássico no nosso desfile, é o ápice do Come Quieto. Então resolvemos assumir isso de verdade”, dispara. “Não somos uma escola de samba, por isso não somos obrigados a ter um samba a cada ano, embora seja legal.”

Domésticas multicoloridas

O Domésticas de Luxo repetirá o ritual de descer o Calçadão da Rua Halfeld, dessa vez em versão multicor. “Que maravilha! É de enlouquecer/ Domésticas de Luxo Multicor…./A tua inspiração! Transforma o coração!”, diz o samba composto para levantar os foliões. “Nosso samba-enredo faz referência ao figurino colorido dos anos 1960 e 70. Queremos mostrar que não somos um bloco preconceituoso. Pelo contrário, somos caricatos. Não temos intuito de discriminar, até porque nossos componentes são os mais variados possíveis. Nossa intenção é mostrar que o Domésticas é de todas as cores, é do povo de Juiz de Fora. Temos pessoas de todos os segmentos da sociedade”, afirma o presidente Odério Filho, fazendo referência às críticas levantadas em 2015 com relação aos costumes da agremiação de levar para a rua homens tingidos de preto e fantasiados de domésticas.

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“De uma forma divertida e muito respeitosa, a gente vem reverenciar o profissional do lar. É o mesmo que se vestir de marinheiro, médico, administrador, engenheiro”, assevera Odério. Segundo ele, o grande homenageado deste ano é Pedro Halfeld, antigo integrante da agremiação e agraciado com o título de patrono do bloco, mas a escolha do samba-enredo esconde outras intenções. “Como não haverá o desfile na Avenida Brasil, o bloco pretende homenagear os 50 anos de carnaval das escolas de samba e, ao mesmo tempo, fazer uma crítica ao fato de não ter o desfile. Isso não podia passar em branco”, comenta, antecipando que a ideia é contar com a participação da bateria e de ritmistas de várias formações da cidade.

E se no Domésticas só entra homem, as mulheres resolveram fundar o bloco “Os mordomos”. Padrinhos (ou madrinhas?) elas já têm. Quem quiser fazer parte dessa folia pode se inscrever até 21 de dezembro. Informações em 3083-1715, 99124-2466 ou através do site www.domesticasdeluxo.com.br. Os ensaios acontecerão aos sábados de janeiro.

Viva Raulzito

Não é carnaval? Então, viva a liberdade. “Não tem mestre sala, não tem bateria. Batemos com lata, cantamos juntos”, explica Danniel Goulart, um dos integrantes do bloco Parangolé Valvulado. A pouco mais de um mês da folia programada para ocorrer em um palco montado na Praça da Estação, o guitarrista diz que o bloco mantém-se fiel ao significado da Festa de Momo. “Carnaval é inversão. Tudo pode”, sentencia ele. Desta vez, o público verá que o Parangolé está Raulvulado. “Ói ói óia o trem, Gita (4x)/ Parangolé Raulvulado/ Tu és o grande amor da minha vida/ Cowboy fora da lei de salvador/ A nossa sociedade, alternativa/ Mano onde cê vai eu também vou/ Não diga que a canção está perdida/ Let me sing, rock and roll/ O bloco valvulado na avenida/ No dia em que a terra parou”, diz um trecho do frevo-enredo de 2016.

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“O Raul sempre esteve na mira do bloco, em conversas de botecos. Curtimos a irreverência e a inquietude dele e que são próprias do Parangolé Valvulado.” De acordo com Danniel, como de praxe, os milhares de seguidores podem esperar para ouvir, também, os tradicionais “esquentas” (alguns autorais) preparados para o começo da folia. “Preparamos um pout-pourri de grandes sucessos do Raul”, conta ele, comentando que a transferência do desfile para a Praça da Estação, no último ano, não estragou a festa. “A gente sempre se importa em fazer com que as pessoas possam ouvir nossas músicas. Se não tiver violência, está bom. Só queremos fazer a farra, ver todo mundo feliz e pronto.”

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