Música eletrônica e clássica. Artes plásticas e música. Tradição e modernidade. Abrangendo conceitos em princípio interpretados como antagônicos, o IV Encontro Internacional de Música e Artes Sonoras (Eimas) da UFJF tem, entre os objetivos, promover um espaço de discussão sobre as expressões sonoras contemporâneas, conceito que extrapola as fronteiras da música, conforme explica Daniel Quaranta, professor do Departamento de Música do Instituto de Artes e Design (IAD) e um dor organizadores do evento. "É um espaço acadêmico com manifestações artísticas que utilizam o som como matéria-prima, mas não são necessariamente músicas. É o caso do trabalho de uma das convidadas da edição deste ano, Raquel Stolf, uma artista plástica que se apropria do som para a expressão artística, mas não possui formação musical", diz Quaranta.
Realizado entre 18 e 20 de setembro, o Eimas reúne importantes pesquisadores e é voltado tanto para a formação quanto para a apreciação da música e da arte sonora, com palestras, workshops e concertos. "É um dos poucos eventos do país que investe nestas duas frentes, dando abertura à pesquisa e não apenas à formação tecnicista. Este formato segue o que é normalmente praticado nos centros da Europa, e tentamos apresentar e discutir as novas formas de manifestações das artes sonoras", destaca Quaranta.
Um dos nomes de grande peso que integra a programação é o do norte-americano Nicolas Collins, pesquisador e compositor de música eletrônica, considerado um dos pioneiros no uso de microcomputadores em performances ao vivo e de circuitos eletrônicos fabricados artesanalmente. Collins ministra palestra na quinta (19) e na sexta (20), de 9h a meio-dia, e integra o concerto de sexta, no Mamm, apresentando-se com os inscritos na atividade.
À frente da oficina de quarta-feira, Raquel Stolf estuda usos da palavra e do silêncio, produzindo fotografias, objetos, instalações, vídeos, desenhos, livros, proposições sonoras, microintervenções urbanas e domésticas. Já o argentino Mario Mary ministra palestra às 16h30, na sexta, no IAD. Voltado para a composição eletroacústica, o pesquisador e compositor estuda a criação musical voltada para a construção de novas tendências estéticas.
Outro palestrante de destaque é João Pedro Oliveira, professor catedrático na Universidade de Aveiro (Portugal) e titular na UFMG. Também dedicado ao estudo da composição eletroacústica, com foco na interação entre esta vertente e a música instrumental, seus trabalhos mais recentes incluem elementos dos dois gêneros.
As oficinas precisam de inscrição prévia e têm vagas limitadas. Contudo, o evento é gratuito e aberto a todas as pessoas, inclusive para quem não tem formação específica na área. "Claro que a participação pressupõe um interesse nos assuntos debatidos, mas não necessariamente um conhecimento teórico ou empírico formal. É uma iniciativa que abre os horizontes não apenas dos participantes, mas traz conhecimentos e especialistas a que a cidade não teria acesso por outros meios." A programação completa do encontro e outras informações podem ser acessadas no site http://www.ufjf.br/eimas.
