"A fotografia é testemunha ocular da história. O brasileiro tem a mania de esquecer os fatos, mas a fotografia jamais será apagada da memória." É com esse pensamento que o fotógrafo Benito Maddalena vem exercendo a sua profissão há quase 30 anos, cobrindo desde eventos esportivos, como a Copa do Mundo, a visitas dos papas ao Brasil, sem se esquecer de uma das suas grandes paixões: a natureza, assim como os casarios antigos de Ibitipoca. Benito está envolvido com a atividade desde 1977, mas a carreira avançou mesmo por volta de 1987, quando começou a fotografar profissionalmente.
Ele começou a viajar muito cedo e sempre levava uma máquina fotográfica a tiracolo para registrar a natureza. "Depois, fui me envolvendo com futebol através de um amigo meu que jogou em alguns clubes do Rio de Janeiro, e ele me incentivou a fazer fotografia esportiva. Na maioria das vezes, trabalhei como freelancer, com a cara e a coragem. A primeira grande cobertura que fiz nesse esquema foi na Copa América, em 1989, no Brasil. Depois trabalhei nas Copas do Mundo da Itália (1990), França (1998), África do Sul (2010) e agora no Brasil. Também fiz a Copa América de 1995, no Uruguai, a Copa das Confederações de 1997, na França, o Mundial de Clubes de 2012, no Japão. Cobri ainda a visita do Papa Francisco, no ano passado, uma das visitas de João Paulo II, em 1997, e a Rio+20, em 2012. Apenas na visita do Papa Francisco registrei três mil imagens."
A luta pelo espaço
"É preciso de toda uma logística sendo freelancer, conseguir patrocínio, arrumar alguém que te dê um suporte financeiro em passagem. Para conseguir credencial, é um pouco complicado aqui no Brasil, já na Europa eles usam muito o freelancer. Mas sempre pensei grande na minha carreira, sempre gostei de grandes desafios."
Para ele, a experiência na Copa do Mundo é fascinante. "Na África do Sul, conheci o Museu do Apartheid, só a Soweto eu fui seis vezes. Fiz muitas amizades e aprendi muito com a cultura deles."
O ‘Minarazo’
Uma das experiências mais marcantes na carreira de Benito Maddalena aconteceu no último dia 8 de julho, no Mineirão, quando a Seleção Brasileira foi humilhada pela Alemanha na semifinal da Copa do Mundo com a derrota por 7 a 1. "Naquele jogo, eu presenciei muita gente chorando e saindo do estádio no primeiro tempo, porque ninguém esperava por aquilo. Mas em outras Copas do Mundo também presenciei grandes momentos. Em 2010, tive a oportunidade de fotografar a família do (Nelson) Mandela, um menino portador de deficiência na final, no estádio Soccer City, que foi selecionado para um prêmio na Espanha", relembra. Mas não apenas o que acontece nas quatro linhas interessa ao profissional. "Também gosto de fazer algumas fotos gerais, como detalhes da arquibancada. Estive ainda no Rio de Janeiro, na Fifa Fan Fest, a gente faz muita coisa interessante fora dos estádios."
Amor por Ibitipoca
"Ibitipoca é um lugar pelo qual tenho muito carinho. Há cerca de 20 anos, fotografo por lá direto. Tenho um acervo grande dos imóveis que foram demolidos, muitos sem o consentimento do Patrimônio Histórico. Também adoro fotos de natureza, e Ibitipoca me possibilita fazer essas imagens, a variedade de luz é muito diferente."
Benito Maddalena planeja publicar em livro a monografia que fez para a conclusão do curso de comunicação social, em que documenta por meio de fotos a restauração do Cine-Theatro Central, em 1996. Outro projeto seria uma coletânea com a seleção de seus trabalhos. "Ainda faço fotos de arquitetura, outras de formatura, mesmo fora da cidade. Toda semana tem um trabalho diferente."
