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Diário de bordo

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Ruas cansáveis, porém incansáveis. Subidas e descidas aparentemente sem fim compõem a bela e histórica Ouro Preto. Pela terceira vez na cidade genuinamente mineira, para participar do 9º Encontro Nacional da História da Mídia, continuei descobrindo esquinas, ruas, pedras, paladares, igrejas e memórias. Isso graças a andar a pé, não seguindo apenas os previsíveis guias.

Nesse caminho, logo ao sair do hotel, me deparei com uma casinha aconchegante, ofertando artesanatos e produtos típicos. Claro que logo entrei para namorar as peças. Feliz surpresa: ali era a moradia do pai de Aleijadinho, onde a atual proprietária utiliza o primeiro andar para fins comerciais e o segundo como própria moradia. Uma moradia aberta – sim, ela abre sua casa gratuitamente a quem queira conhecer. E fui. Ao lado de seus livros, cremes e pertences pessoais (incluindo seu cachorro super receptivo!), o espaço é preservado com objetos antigos e curiososencontradosao longo do tempo escondidos pelos históricos habitantes.

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Dentre as estruturas, estão o quarto ocupado pela menina-mulher que fosse solteira, extremamente claustrofóbico, e o esconderijo através da falsa porta de armário por onde os moradores fugiam e tinham acesso direto às minas, escapando, assim, do pagamento do quinto, imposto cobrado naqueles tempos. Um verdadeiro mergulho em hábitos antigos, acompanhado por um jovem funcionário da loja declamando com orgulho a história que conhece na ponta da língua, sem nos sobrar nada além de olhares impressionados.

Dos clássicos objetos de pedra-sabão aos charmosos cafés (que fazem questão de divulgar a saborosa cerveja artesanal ouropretana), a cidade respira arte. Galerias e artesãos pelas ruas enfeitam nossa experiência, junto a igrejas – cartões-postais que infelizmente precisam de melhor conservação, assim como a famosa Mina da Passagem, entregue às moscas, sem investimentos em receptividade ao público. Enfim, andar por aquelas ladeiras e absorver o clima frio de cultura quente sempre valerá a pena. Sem contar a comidinha mineira servida na panela de barro… Mas isso é outra história.

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