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Melodia clássica, paisagens fulgurantes ARNALDO COHEN

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Um perfeito interlocutor de sentimentos entre artista e público. Assim é definida por Arnaldo Cohen a música, linguagem que o acompanha desde a infância. Na noite desta terça, no concerto que integra o 23° Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, o pianista propõe uma "viagem emocional", permeada por histórias contadas por intermédio de gênios como Bach, Beethoven e Chopin. "São peças ora contemplativas, ora virtuosísticas, por vezes de turbulência emocional ou com tranquilizantes para alma. Todas repletas de paisagens fulgurantes, músicas que servem como trilha sonora de uma maravilhosa viagem", avalia Cohen, que se apresenta no Cine-Theatro Central.

Cohen é o único aluno na história da universidade brasileira a se graduar, com grau máximo, em piano e violino, pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Aos 20 anos, abandonou o curso de engenharia e optou pelo piano, passando a trabalhar sob a orientação do pianista cearense Jacques Klein, referência mundial. Para pagar seus estudos, Cohen trabalhou como violinista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em seguida, buscando complementar sua formação, transferiu-se para Viena, Áustria, onde estudou com Bruno Seidlhofer e Dieter Weber.

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Há 40 anos, em 1972, o talento, a sensibilidade e a técnica do músico brasileiro o levaram à conquista, por unanimidade do júri, do primeiro prêmio do Concurso Internacional de Piano Busoni, na Itália. Este foi o início de uma jornada que o levaria aos cinco continentes, realizando mais de três mil concertos como solista de orquestras a exemplo da Royal Philharmonic Orchestra, a Orquestra de Cleveland e da Filadélfia, a Filarmônica de Los Angeles, a Sinfônica de Berlim, a Sinfônica da Rádio da Bavária, a Orquestra da Accademia di Santa Cecilia de Roma, a Orchestre de la Suisse Romande e a Tonhalle de Zurique, colaborando com regentes como Yehudi Menuhin, Kurt Masur, Wolgang Sawallish, Kurt Sanderling e Klaus Tennstedt.

 

 

Globalização e intercâmbio

"Vivemos hoje em uma grande aldeia, e, com o acesso globalizado à informação, o conhecimento tornou-se mais acessível a todos. A fascinante tecnologia nos permite o contato com parâmetros de qualidade superiores. Hoje, um computador permite a todos ouvir e ver os grandes músicos, mundo afora, sem restrições", reflete Cohen. Desde 2004, o pianista mora nos Estados Unidos, onde assumiu uma cátedra vitalícia na Escola de Música da Universidade de Indiana. O brasileiro, que mantém ainda uma intensa agenda de masterclasses junto a inúmeras instituições acadêmicas, credita à intensa troca de conhecimentos a assídua participação de brasileiros em importantes orquestras de todas as partes do globo. "É fantástico constatar a presença cada vez maior de nossos artistas nas grandes salas de concertos em todo o mundo", diz.

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Durante o festival, professores e estudiosos reúnem-se na cidade para ensinar aos cerca de 700 inscritos das oficinas, mas também para discutir os rumos da música. Além de buscar aproximar a música erudita de todos os públicos, o evento deste ano é focado, sobretudo, na formação e no crescimento teórico dos participantes, propósito reforçado pela incorporação do Pró-Música pela UFJF. "Acho formidável todo tipo de iniciativa baseada em construção", pontua, sobre a importância do festival no cenário brasileiro.

 

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Música e formação

Apesar da postura crítica adotada pelo músico em relação às instituições de educação no Brasil, Cohen acredita que, pelo menos na música, exista uma tentativa de mudança. "Não adianta sermos a sexta economia do mundo e estarmos no final da fila no quesito educação. Um dos grandes problemas do Brasil é o afastamento da cultura em relação à educação, quando as duas deveriam caminhar juntas."

Porém, para que essa solidez faça parte de uma realidade, impulsionando importantes formações como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG) – que fará o encerramento do festival, no dia 29 -, Cohen destaca como fundamental a objetividade da vontade política. "Precisamos de líderes interessados, esclarecidos, que, ao estudar um pouco de história, não tenham dificuldade de verificar a importância da cultura na formação de povos civilizados."

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Terça, às 20h30

Cine-Theatro Central, 3215-1400

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