A idade de um deles não soma a de todos de muitas das novas bandas de rock. Na faixa dos 60, os integrantes do grupo paulista Pholhas comprovam que ainda estão a todo vapor. O fôlego em alta, alimentado pela energia pulsante do rock, é o resultado da persistência de quem se lançou no mercado há 42 anos, como se fosse ontem. Mais de 20 anos se passaram, e a banda volta a agitar a noite juiz-forana hoje, com show marcado para as 20h, no Cultural Bar. A gente está esperando há muito tempo para retornar. E agora chegou a hora de mostrar nossa turnê ‘Pholhas 40 anos’, uma alusão às quatro décadas do primeiro disco, dois anos depois da formação inicial, adianta Bitão, guitarrista e vocalista da trupe, formada ainda por Paulo Fernandes (bateria e vocais) e João Alberto (baixo e vocais), além do convidado Elias (teclados).
Para a apresentação, Bitão promete pelo menos três dos maiores sucessos, que são My mistake, She made me cry e Forever. O revival, no entanto, contará também com músicas representativas para quem acompanha a banda, para lá de acostumada a reler, no palco, hits de nomes como Beatles, Rolling Stones, Bee Gees, Creedence Clearwater Revival e Elvis Presley. Por isto são top, pois são fáceis de guardar na memória e cantar. Agradam o coração, destaca o guitarrista, anunciando novos projetos para o segundo semestre de 2011: a gravação do primeiro DVD, com importantes autorais, e um novo CD, gravado com 80% das canções em português.
Para a surpresa de muitos, em 1977, os Pholhas desviaram o trajeto original e compuseram um álbum todo em português, com melodias voltadas para o rock progressivo. Caiu quase como uma blasfêmia. Mas em 1986, o público pediu, e os músicos atenderam, voltando a gravar em inglês, idioma utilizado na maior parte do trabalho inicial do quarteto, repleto de covers de bandas americanas e inglesas.
Quatro rapazes e uma mesma afinidade: a música. Após algumas conversas e encontros, Bitão aceitou o convite, e, no início de 1969, mais precisamente no dia 18 de fevereiro, ele, Helio Santisteban, Paulo Fernandes e Oswaldo Malagutti fizeram o primeiro ensaio juntos, sendo essa a data oficial da fundação da banda que, após quase dois meses de vida, ainda não tinha nome. Depois de muitas mudanças na formação, foi no final de 2007, quando Hélio Santisteban nos deixou definitivamente, que resolvemos não ter mais um tecladista fixo e sim um especialmente convidado para cada apresentação. Essa formula deu tão certo que virou um atrativo a mais dos shows, comenta Bitão.
Se a estreia oficial foi num baile no Bairro do Tatuapé, na capital paulista, em maio daquele mesmo ano, o sucesso não demorou bater à porta do grupo, que ainda hoje mantém em seu patrimônio uma das melhores aparelhagens dentre os grupos musicais da época, além de uma considerável legião de admiradores, marcando presença nas nostálgicas performances dos sessentões.
