
Neste domingo (19), o Museu Ferroviário volta a receber a Feira de Discos de Juiz de Fora. Em sua sétima edição, a partir do meio-dia, a feira vai receber cerca de dez expositores de todo Brasil, incluindo selos independentes e expositores dos estilos mais diversos, com vinis novos e antigos. O evento também vai contar com praça de alimentação e apresentações dos DJs Largatixa, Daniel Juca e Tha Redig, todos eles tocando exclusivamente em vinil.
A primeira edição da feira aconteceu em dezembro de 2017. Pedro Paiva e Alex Paz, que já atuavam como DJs e frequentavam feiras das capitais, começaram a identificar um novo público demonstrando interesse pelos vinis – não mais aqueles que viveram a época de ouro do formato, mas os mais jovens, que começavam a montar as coleções naquele momento. Pedro já atuava no Vinil é Arte – o coletivo formado por DJs interestaduais que atuam nas festas tocando suas bolachas – e Alex, entre 2015 e 2016, mudou-se do Rio de Janeiro para Juiz de Fora. Os dois, acostumados a participar e organizar as feiras, tiveram a ideia de trazê-las para Juiz de Fora.
“A ideia da feira surgiu para suprir essa necessidade de comprar e vender os discos e pela vontade nossa de mostrar a cultura do disco. A verdadeira cultura do disco, que a gente cresceu com ela”, esclarece Pedro. “Não é só o lado comercial, não é só questão de vender. Vai além: tem a ver com a cultura dos DJs, de procurar mesmo, porque o DJ olha diferente para o disco. É um trabalho de pesquisa que começou a crescer nas pessoas.”
Corpo atlético
Pedro percebe que esse interesse pelos vinis, inclusive, partiu de uma vontade maior de conhecer a música, sobretudo brasileira. “Com o ‘boom’ dos downloads, as pessoas ficaram mais ansiosas por informação. E o pessoal percebeu que a tecnologia do CD durou pouco, enquanto os vinis estão aí até hoje. E o vinil se mostra um bom corpo, atlético até, porque ele está há tantos anos aí.” Além do interesse por vinis ter aumentado, os músicos também passaram a querer ter seus trabalhos lançados nesse corpo, tanto que, a partir de 2013, vários selos começaram a funcionar.
A feira de vinis do Rio de Janeiro é considerada a maior da América Latina. A realização em Juiz de Fora tem, também, a intenção de “colocar a cidade no mapa dessa cultura”. “A intenção, no final das contas, é mostrar que é uma cultura viva. A produção está vivíssima. É falar do hoje através do ontem”, completa Pedro, ressaltando que o espaço ainda traz mais identidade mineira ao evento, com os trens do Museu Ferroviário ao fundo.
“A feira abraça as pessoas, inclusive as que ainda não colecionam vinil. É como um convite mesmo para que as pessoas conheçam a cultura do disco, muito além da venda, a partir da nossa visão e experiência”, finaliza Pedro. O espaço vai contar com bicicletário e estacionamento. A entrada de animais não é permitida.

