Extasiado diante à multidão, flanando pela Rua Florida, as imagens da Rua Halfeld insistiam em aflorar na minha mente. Fiquei me perguntando: o que leva as pessoas a estarem ali? O que leva à formação de uma rede como aquela no Centro da cidade? O que está subjacente a essa rede e o que ela nos revela sobre a cidade e sobre seus indivíduos? As indagações, resultado das memórias da infância e da curiosidade acadêmica, foram o ponto de partida para a pesquisa realizada por Frederico Braida.
Professor doutor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFJF, ele lança, hoje, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, o livro Passagens em rede – a dinâmica das galerias comerciais e dos calçadões nos centros de Juiz de Fora e Buenos Aires, projeto que tem o apoio da Lei Murilo Mendes e da Editora da UFJF. No evento, estarão presentes o chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Gustavo Abdalla, o diretor da Faculdade de Engenharia, Hélio Antônio, e a professora da Universidade de São Paulo (USP), Heliana Vargas, que farão breves comentários sobre a obra.
Resultado de três anos de pesquisa, o trabalho faz parte do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi financiado tanto por uma agência de fomento à pesquisa nacional (Capes), quanto por um programa internacional de mobilidade de pesquisadores (Alfa, da União Europeia).
Além das pesquisas em acervos de bibliotecas de Juiz de Fora, Rio de Janeiro e São Paulo, o conteúdo do livro desenvolveu-se, em parte, em Buenos Aires e em Mar Del Plata, na Argentina e, também, em Santiago, no Chile. Ainda que considerada ícone de Juiz de Fora, a trama de configuração labiríntica não é peculiaridade apenas da cidade, segundo o pesquisador. As passagens em rede do Centro de Buenos Aires se parecem com as que encontramos aqui e, guardadas as devidas proporções, com as dos centros de outras cidades latino-americanas, como, por exemplo, o Centro novo de São Paulo, os centros de Santiago, Córdoba e Montevidéu, explica.
No entanto, a capital argentina se aproxima intimamente da cidade mineira pelo fato de serem marcadas por um importante calçadão conectado a diversas galerias comerciais. Além de ressaltar o mix de funções encontrados nessas passagens, como comércio, moradia, serviços, educação, a pesquisa se volta, sobretudo, para duas características citadas de forma recorrente no percurso teórico do autor: a centralidade e a vitalidade das galerias.
PASSAGENS EM REDE
Lançamento do livro hoje, às 20h
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200)
