
Cris Mendes e Arcanjo Brian planejam engatar a produção do álbum de estreia do AudioCrew
Faltou pouco, mas valeu a pena. Formada por Cris Mendes e Arcanjo Brian – moradores dos bairros Poço Rico e Centenário, repectivamente -, a dupla AudioCrew foi uma das semifinalistas da primeira edição da Take Back The Music (TBTM), competição internacional de música que reuniu artistas do Brasil, Jamaica e Colômbia e que terá sua final em Miami, nos Estados Unidos. Com o feedback obtido por meio do evento, os dois responsáveis pelas batidas e rimas do projeto esperam tocar em frente outros planos, que incluem a gravação do primeiro álbum. Uma das cabeças articuladas da dupla – que tem como parceira de todas as horas a empresária Flávia Lopes -, Cris Mendes conta que o acaso levou o AudioCrew a participar e se destacar no Take Back The Music – para o qual, a princípio, nem poderia participar. “Só poderiam concorrer artistas do Rio e São Paulo, mas ficamos sabendo do campeonato por meio de um amigo quando já estava rolando há cerca de dois meses. Nos inscrevemos mesmo assim e tivemos uma votação expressiva, que chamou a atenção dos organizadores do evento e acabamos participando das semifinais do país”, diz ele, acrescentando que cerca de 80% das visualizações obtidas pela dupla vieram da Jamaica. A partir daí, foi correr atrás para conseguir pontuação suficiente para tentar chegar à final, por meio da plataforma utilizada pelo Take Back The Music para escolher os vencedores. Segundo eles, porém, um problema na própria plataforma não estava computando os pontos obtidos a cada visualização/audição do trabalho do grupo – o que não permitiu saber se eles teriam condições de superar os classificados pelo país para a finalíssima, os cariocas do #ComboIO, que por enquanto lideram a pontuação da final. Apesar da decepção com a eliminação, eles destacam os pontos positivos da perseverança em participar do TBTM, como a divulgação do trabalho da dupla e a visita a Juiz de Fora do organizador do evento, o artista e ativista ganês radicado nos Estados Unidos Derrick N. Ashong (também conhecido como DNA), que gravou com o AudioCrew e parceiros musicais um vídeo de apresentação. Outro fruto colhido pela dupla foi a arrecadação por meio do site de crowdfunding Kickante do valor necessário para participar de uma gravação no Showlivre.com, uma das principais plataformas de lançamento de artistas na internet. “A filmagem com o Derrick nos ajudou a conseguir o patrocínio para fechar as cotas que faltavam. O José de Abreu, da lanchonete Guaraná da Amazônia, está nos apoiando nessa fase. Ele mandou nosso trabalho para o filho, que mora no Maranhão, ouvir, e ele identificou na hora a ‘She said matero’, que produzimos com o francês Jean-Paul Dub”, lembra Arcanjo Brian. “Dá para ver pelo Soundcloud que há gente de todos os lugares curtindo e comentando nossas músicas. Se trabalharmos direito e caminharmos de forma sólida, vamos levar nosso som a muito mais lugares. Essa participação no Showlivre vai dar um segundo impulso para a gente”, planeja Cris, ressaltando que aguardam a possibilidade de fechar uma miniturnê por Minas, Rio de Janeiro e São Paulo para gravar sua participação. “Queremos, pelo menos, fazer duas apresentações em São Paulo para resolver tudo em apenas uma viagem.” “A gente continua fixando nossas raízes em Juiz de Fora, mas sem se esquecer de olhar para além da cidade”, filosofa Brian.
Agitação coletiva
Cris e Brian formaram o AudioCrew no final de 2012, mas integram a cena musical de Juiz de Fora desde a década de 1990, quando participavam com outros amigos do coletivo JF Crew, que depois rendeu o JF Junkies antes de cada um seguir seu próprio caminho. Tempos depois, Cris Mendes iniciou o projeto Expanded Nose, que mesmo tendo algumas composições terminou por se tornar algo mais compacto: a dupla com Brian, que lançou no ano passado o EP “Acende” (no formato físico tem quatro músicas mas pode ser encontrado na internet com nove composições). Sabendo que pedra que rola não cria limo, eles participaram do projeto de remixes “Vinil é Arte”, cedendo a música “Descaso do destino”, que vai ganhar novo videoclipe para a versão retrabalhada. E seguem na preparação do CD de estreia, por meio da Lei Murilo Mendes, trabalhando incansavelmente no estúdio caseiro montado pela dupla, em que o reggae e suas subdivisões, o rap tradicional americano, música barroca e dos anos 30, MPB, rock, hip-hop, samba e a precisão cirúrgica do Kraftwerk se juntam aos versos certeiros da dupla em canções como a própria “Descaso do destino” (“Justiça monetária, veredito feito à bala / sua casa invadem com a tua mãe na sala (…) destino ocultado, arquivo deletado / memórias, momentos raros / desfeitos em segundos por caras otários”). “Queremos mostrar nossa mensagem não apenas como música, mas também como uma ferramenta que Deus nos concedeu”, afirma Cris. “A galera ouve o som, gosta e quer ajudar. Ficamos felizes por saber que quem escuta nossas músicas acredita no que cantamos. Mesmo sendo só nós dois no palco, na verdade está todo mundo lá em cima”, conclui Arcanjo Brian.

