Ícone do site Tribuna de Minas

Alma que não tem idade

as protagonistas de cidade dos fantasmas vao a procura da explicacao por um grande misterio

as-protagonistas-de-cidade-dos-fantasmas-vao-a-procura-da-explicacao-por-um-grande-misterio

As protagonistas de
PUBLICIDADE

As protagonistas de “Cidade dos fantasmas” vão à procura da explicação por um grande mistério

PUBLICIDADE

São as memórias de duas mulheres que conduzem “Cidade dos fantasmas”, cuja estreia está marcada para esta quinta-feira e segue em temporada até domingo, sempre às 20h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Com texto de Antonio Coutinho e direção de Marcelo Salvatore, a peça traz quatro atores juiz-foranos, de projetos teatrais distintos, em uma tragicomédia, que flerta com dança e cinema. A montagem tem apoio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura.

Perdidas, Marília e Hortênsia saem à procura de uma explicação para um grande mistério: Pode uma cidade inteira desaparecer da noite para o dia?

Nos descaminhos da jornada, as duas “encontram a si mesmas, seus amores, suas memórias, seus segredos guardados, abrindo clareiras em sentimentos nunca antes deflagrados, solos arenosos, campos movediços, onde a verdade pode estar a um palmo da densa neblina”, conforme conta Salvatore. “Fatos vão surgindo à medida que as duas vão remexendo o passado”, afirma o diretor, ressaltando que o espetáculo não se prende a uma marca temporal. A solução para as viagens por vários períodos está na iluminação e no figurino. “Fazemos uma brincadeira no tempo/espaço. Uma situação se passa nos anos 1970, por exemplo, mas o figurino é de outro século. Alguns elementos estão propositalmente deslocados.”

A intenção, segundo o diretor, é não ser literal o tempo todo. “Se a gente optasse por uma peça naturalista, muitos pontos ficariam incompreendidos. Enquanto as mulheres vão conversando, percebemos que elas estão na faixa etária dos 60 anos, embora não tenham esse estereótipo. São cheias de vitalidade”, comenta o diretor, apontando para a proposta de ressaltar os aspectos psicológicos dos personagens. “Ela mira mais no lado emocional das protagonistas, porque se trata de uma alma que não tem idade. Independentemente do físico, o emocional não envelhece.”

PUBLICIDADE

Originalmente escrito em forma de conto, o texto virou uma peça teatral a pedido do próprio Salvatore. “O Antônio disse, certa vez, que tinha uns escritos guardados e que não tinha coragem de mostrar para ninguém. Fiz muita questão de ver, e ele me apresentou três textos. Um deles foi publicado, o “Despedida de Santo – crônica de uma cidade sem passado”. Virou livro. Minha sugestão de transformá-lo para diálogo se deve, justamente, ao fato de ele nos dá essa possibilidade de brincar no tempo”, destaca.

Muito mais que um simples guarda-roupa

Para viver essa história, o elenco tem um cenário, idealizado pelo artista plástico Agnaldo Teixeira, composto apenas por duas cadeiras, um baú e um guarda-roupa. Pode-se dizer que este último é a peça curinga da montagem, exercendo em cena uma função repleta de simbolismos. “Lá é como se fosse um lugar de segurança, um lugar em que as duas se escondem da chuva, por exemplo, e, também, compartilham suas intimidades, suas lembranças”, assevera Salvatore. A trilha sonora, composta especialmente para o espetáculo, tem a assinatura de Danniel Goulart e Guilherme Veronese. “Eles compuseram em cima de uma demanda emocional. Tem uma música de suspense, de mistério, e música que traz uma leveza, um humor”, conta Salvatore. Com a estreia, de acordo com o diretor, celebra-se o encontro de quatro atores, oriundos de trabalhos diferentes, que se uniram, “simplesmente, pela paixão pela ideia e pelo texto”: Aliciane Rodrigues, de “Perdida! Electra num mundo de palhaços”, da Caravana Mezcla de Palhaços, Anderson Ferigate, do grupo CriArte, Paulo Moraes, do T.O.C – Teatro Obsessivo Compulsivo, e Renan Kirchmaier, de”Não-vão-além: Como enraizar o amor que voa.” “Foi muito feliz esse encontro de nós todos. A química deu muito certo.”

PUBLICIDADE

CIDADE DOS FANTASMAS

De quinta a domingo, às 20h.

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas

PUBLICIDADE

(Av. Getúlio Vargas 200 – Centro)

Sair da versão mobile