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A festa da Elba

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Elba Ramalho é chamada de "a rainha do forró", mas começou a carreira tocando bateria numa banda feminina de rock em 1968. "Foi uma revolução. Todo mundo achava que eu era uma vadia, uma louca. Na verdade, quando fui para o Rio de Janeiro, aos 21 anos, ainda era virgem", disparou a cantora, durante entrevista concedida à versão on-line do jornal "Estado de São Paulo", há um ano, quando começou a caminhar rumo a um projeto mais intimista. Despida de excessos de produção, como se cantasse na sala de sua casa, Elba agora é acústica e volta a Juiz de Fora hoje acompanhada por apenas dois músicos; Marcos Arcanjo (se revezando entre violão e guitarra) e Mestrinho (sanfona). "Para este tipo de espetáculo, eu tento me aproximar de uma formação ‘pé de serra’.

O repertório é repleto de sucessos e feito para dançar juntinho", adianta, por e-mail, à Tribuna.

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Sobre o set list, Elba Ramalho promete músicas diferentes das que o público está acostumado a ouvi-la cantar. Mas também haverá espaço para alguns de seus grandes sucessos. Atender a pedidos da plateia é lembrar de sua estreia, há mais de 30 anos, quando era atriz. "Era só um número, mas eu arrasava", ela diz, referindo-se à sua participação na "Ópera do malandro", de Chico Buarque. Sua incursão na obra começa com "O meu amor", música que dividia com Marieta Severo. O dueto fez sucesso, e Chico convidou as duas para repetir a dobradinha em seu disco. Pouco tempo depois, a atriz Elba dava lugar à cantora que, em algumas semanas, alcançaria sucesso em todo o país. "Sou uma cantora de ritmos brasileiros. É difícil dizer o que não pode faltar, muita coisa não pode faltar. Forró, baião, xote e frevo são imprescindíveis. E as românticas também", garante Elba, que traz ao Cultural Bar sucessos como "Banho de cheiro", "De volta pro aconchego" e "Bate coração".

Ao mesmo tempo, o forró também rola solto, afinal Elba entende do assunto quando está diante de um autêntico "rastapé" nordestino. E para todo mundo sair satisfeito, ela canta sucessos como "Gostoso demais", "Ai que saudade d’ocê", "Dia branco", "Chão de giz", "Canção da despedida" e "Veja (Margarida)". Apesar de um show com poucos, essa é a Elba de muitos.

Que Elba Ramalho é sinal de festa ninguém duvida. Sambista, forrozeira e romântica? O que sobressai na carreira desta paraibana "arretada"? "A intérprete", ela assegura. "Já recebi elogios, me chamam de melhor cantora de frevos. Outros me chamam de a melhor cantora de forrós. Em função da minha formação de teatro, e da carga dramática, muita gente gosta das minhas interpretações em baladas e canções", completa.

Aos 57 anos, Elba Ramalho iniciou as comemorações de 30 anos de carreira na MPB, lançando o CD "Balaio de amor" (Biscoito Fino) em 2009. O 30º disco reúne baiões e xotes de compositores pós-Luiz Gonzaga. Ainda celebrando três décadas de trajetória, ela, aos 60, diz sobre o que mudou em seu modo de interpretar. "A técnica. Sem dúvida nenhuma tenho conhecimento das minhas extensões vocais e das minhas possibilidades."

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Gravado em apenas sete dias, na estrada do Joá, no Rio, o álbum conta ainda com nomes como Accioly Neto, Xico Bizerra e Teresinha do Acordeom, além de Dominguinhos, "Ave de prata", de 1979. "Tem algo de paradisíaco (no local de gravação). A vista da Pedra da Gávea e a mata fechada trazem paz de espírito e tranquilidade", afirma Elba, antes de falar sobre o que veio um ano depois, o DVD "Marco Zero – Ao vivo" (Biscoito Fino , gravado em Recife (PE). "Esse (projeto fonográfico) foi o último. O próximo? Ainda não sei. Estou com dois projetos bem encaminhados, não sei qual vai sair primeiro, mas ainda para este ano. Várias idéias boas para 2012, mas, por enquanto, não posso contar."

 

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Orgulho da cria

Elba levou o sabor nordestino para a cidade grande. "O Nordeste me toma como porta-voz. Apresentei muita gente nesse tempo todo. Lenine, Carlinhos Brown, Chico César. Cantei para as elites, consegui furar o bloqueio das classes A e B de São Paulo e Rio. Não foi fácil cantar forró, ser capa da "Veja" e lotar o Canecão (durante) três meses vindo de um lugar como a Paraíba." Dos loucos anos 80, Elba lembra do estouro de suas músicas, algo que, de acordo com ela, soou como novidade entre os espectadores de nomes como Gal, Bethânia e Simone. "Elas faziam shows, eu fazia espetáculo."

Elba conta que, no início dos anos 90, recusou um convite do empresário Ralph Mercado, que cuidava da carreira de Tito Puente e Celia Cruz, por ele queria transformá-la numa espécie de "Shakira" brasileira. Orgulhosa como só, ela diz ainda ter recusado a proposta de ir morar nos Estados Unidos e aprender espanhol, pois não conseguiria ficar longe do seu forró. "As pessoas me chamavam de a nova Carmem Miranda, de Tina Turner brasileira. Mas iria ter de me transformar em outra pessoa e acabei fugindo daquilo tudo. Voltei para casa."

Em troca, Elba Ramalho recebe dos fãs a notoriedade de uma obra contínua e coerente. Afinal, a paraibana não é basicamente uma forrozeira como Marinês e nem sambista como Beth Carvalho, mas sim intérprete de bolero, frevo ou baladas românticas, embora nenhum destes ritmos seja capaz de rotular sua definição enquanto cantora genuinamente brasileira.

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Programação

Hoje, às 23h no Cultural (Avenida Deusdedit Salgado 3.955)

Abertura com Vinil é Arte e fechamento com Feira Livre

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