
Sergio Medeiros propõe que a escola discuta o cinema como questão estética
Quando se pensa em cinema na escola, a primeira imagem que surge na mente do indivíduo é a reprodução de um trecho de determinado filme que tenha ligação com a matéria ministrada pelo professor da vez, geralmente para ilustrar determinado tema em sala de aula para posterior discussão, trabalho, prova. Pode ser “O nome da rosa” para teoria da comunicação, “Getúlio” para história, talvez “Matrix” em filosofia… A sétima arte, porém, possui capacidade de ir além do que se vê, e este é o principal tema tratado pelo professor de história Sergio Augusto Leal de Medeiros no livro “Imagens educativas do cinema”, que já está à venda e terá seu lançamento oficial no dia 3 de março, às 18h, na Livraria Leitura.
Segundo o professor, que atualmente dá aulas na pós-graduação do Colégio de Aplicação João XXIII, o livro é a transcrição para o mercado editorial de sua tese de doutorado defendida em 2012 na UFJF e representa o resultado de suas pesquisas feitas durante a vida docente. “Os professores costumam usar os filmes como instrumentos auxiliares, e com a pesquisa pude perceber que os alunos queriam que o cinema fosse discutido como questão estética, afetivo-emocional”, explica o professor, que já nos anos 1990 usava as produções cinematográficas para complementar suas aulas. “A grande sacada foi essa, ver que o cinema poderia ser muito mais que um elemento auxiliar. Hoje as pessoas assistem mais a filmes que lêem livros.”
O ponto inicial da guinada temática de Sérgio foi sua entrada, em 2008, no grupo de pesquisas LIC (Linguagem, Interação e Conhecimento), da UFJF, coordenado pela professora Maria Teresa Freitas. A reboque, sua percepção de que os alunos viam nos filmes muito mais que um tema complementar ao que era ensinado. “Os próprios alunos deram os indícios de que o cinema poderia ser mais que uma ferramenta de auxílio. Eles discutiam não apenas o tema do filme (em relação à aula), mas também aspectos técnicos, de estilo, e até mesmo sobre eles mesmos. Foi a partir daí que passei a aprofundar a discussão sobre a linguagem imagética. Deleuze (Gilles, filósofo francês) nos fez perceber que o cinema é um discurso, e que podemos filosofar por meio dele. Muitos filósofos do século XIX, se tivessem nascido hoje, poderiam muito bem utilizar o cinema para expor suas ideias”, acredita.
Ainda que traga um panorama histórico do surgimento do cinema e seu aperfeiçoamento técnico, “Imagens educativas do cinema” tem como ponto central a discussão da relação entre cinema e educação. “Buscamos discutir, questionar, não só o cinema educativo, mas também o educativo do cinema”, aponta. “Ir além da coisa pedagógica de perguntar se pessoa entendeu a história, mas também realizar essa impregnação inversa, de levar filmes que não sejam apenas comerciais. Mais importante que olhar as imagens é olhar pelas imagens”, afirma Sergio, defendendo que sua pesquisa propõe uma “pedagogia do olhar”. “Seria fazer a distinção entre o simples ato de ‘ver’ e o ‘olhar’, que é fixar seu foco em um lugar e enxergar além dele, privilegiando o ato criativo estético.”

