
Antes de inaugurar casa de festas na Avenida Brasil, próximo ao terminal rodoviário, Xuxa atendeu fãs de todas as idades em frente ao espaço
“Sempre vou ficar em dívida”, diz a Xuxa de um olho azul desconcertante e de uma voz doce e baixa. Para entender sua dívida, sua chegada a Juiz de Fora, na tarde de ontem, explica. Antes mesmo de conhecer a nova franquia de sua casa de festas, de abraçar os franqueados, de atender a imprensa e minutos após ter desembarcado na cidade, Xuxa atendeu os fãs. Pessoas de diferentes idades e sexos aguardaram, por horas, a rainha dos baixinhos nas grades que cercavam o empreendimento na Avenida Brasil, na Zona Norte. Pacientemente, cercada por seguranças, a apresentadora fez selfies com os fãs (ela mesma segurando os celulares), abraçou adultos e beijou as crianças. Uma comoção. “As pessoas dizem: ‘Nossa, ela dá muita atenção!’. Mas não veem que eu recebo muito mais do que a atenção que doo. Sempre vou ficar em dívida. Recebo muito mais. As pessoas fazem absolutamente tudo para chegarem perto de mim. Então, por mais que fotografe, fale e dê um beijinho, sempre vai ficar faltando”, explica a artista.
Carinhosamente, Xuxa procurou pelas crianças, nas quais passava as mãos no rosto e beijava. Ainda que seus baixinhos já sejam grandinhos, a apresentadora continua a se encantar pelos pequenos. E, mesmo que seu hoje não seja de “Ilariê”, ainda não desistiu dos sorrisos infantis. “Infelizmente, para o desespero de algumas pessoas, não vou deixar de falar com as crianças. São 32 anos trabalhando em televisão, e não tem como não falar para as famílias e para os adultos. Mas, também, não posso deixar de falar para as crianças, porque é o que gosto”, diz. “O ‘Xuxa só para baixinhos 13’ vai sair e vou fazer um filme para a família, pensado para a criança. A família toda vai poder ver, mas vai ser uma comédia leve.”
Segundo a apresentadora da Record, os projetos infantis só não passam mais pela televisão. “Continuo pensando em fazer coisas ligadas às crianças, mas, infelizmente, fazer um trabalho na televisão para eles, como fazia antigamente, não existe para mim e para ninguém. Não há mais esse espaço. A televisão não quer investir num apresentador para as crianças”, comenta. “Hoje em dia, como apresentadora, não posso pegar produtos na mão, não posso fazer nada. Existem muitas leis que protegem muito as crianças. Algumas muito legais, outras um pouco exageradas. Deveria ter uma brecha para que pudéssemos fazer, porque, como está, as crianças acabam vendo jornais, novelas e muitas outras coisas que não são feitas para ela.”
“O mundo mudou”, diz. As crianças são outras. “Não posso fazer um programa cheio de merchandising para pagar o programa. Não posso usar determinadas linguagens, que sei que não são adequadas, porque a gente precisa saber falar para a criança. Não concordo que existam programas nos quais eles ficam sem um ídolo. Querem conhecer quem? Querem ver quem? Sonhar com quem? Não tem mais isso. E é uma necessidade de hoje”, opina a artista de 52 anos, com mais de 20 filmes, de 50 discos e um poderoso império de entretenimento no país. “O que me sobra é fazer um programa para os adultos, que cresceram comigo. Quero continuar fazendo e acho legal, mas, se me perguntar o que quero, quero fazer programas para crianças”, lamenta ela, que começou o sucesso com o “Clube da criança”, na extinta TV Manchete, e estourou com seu global “Xou da Xuxa”, de 1986.
‘Acho incrível Juiz de Fora’
Para todo canto, um X. “Marquei um X, um X, um X no seu coração/ pra você nunca me esquecer.” Na Casa X, que a apresentadora inaugura no número 7.423 da Avenida Brasil, próximo ao Terminal Rodoviário Miguel Mansur, está expresso o maior elo atual de Xuxa com os baixinhos. Contudo, é na memória da nave e de outros elementos de seus antigos programas que o espaço ganha ainda mais a cara da artista. “As pessoas sempre disseram que tinham o sonho de descer na nave. Trouxemos ela para que os pais realizassem esse sonho e passassem essa história para a frente. Esses pais e mães que cresceram comigo vão contar, e, obviamente, os pequenos não vão ver dessa maneira e entender a magia da nave, mas vão conhecer.”
De acordo com a loira, o espaço de festas, com seus personagens e músicas, nasceu do sonho de ter uma casa de festas para chamar de sua. “O Gringo Cardia, um dia, disse que precisava ser da forma como eu penso. Daí começou a crescer muito. Tenho um sócio, o (fundador da holding de franquias multissetoriais José Carlos) Semenzato, que sugeriu que fizéssemos casas pelo Brasil todo. Meu sonho era só uma grande casa”, conta. Sobre o momento de investimento, não tem dúvidas: “Não sabemos o que vai acontecer (com a economia) daqui a alguns anos, mas sabemos que crianças nascem todos os dias, fazem aniversários todos os dias, e é necessário ter espaços como esse. O Brasil está em crise, há cinco anos parecia estar melhor e não sabemos como vai ser, mas felizmente colocamos como prioridade os nossos filhos”.
Com investimento inicial total de até R$ 1,5 milhão, e faturamento médio mensal de mais de R$ 120 mil, a Casa X chega à cidade não só com a expectativa de seus franqueados, mas da própria rainha dos baixinhos, que não esconde o carinho pela cidade que visitou, pela última vez, no final de novembro, para gravar seu “Xuxa Meneghel”, que vai ao ar nas noites de segundas. “Já tinha vindo em Juiz de Fora e acho incrível, com pessoas sempre muito carinhosas, que sabem receber”, sorri, com a mesma ternura com que cantava “o sonho sempre vem, pra quem sonhar.”

