
Obras do Mariano Procópio ocupam segundo pavimento da Pinacoteca
Esculturas de Ron Mueck, no primeiro piso, atraem mais público para o local
A austeridade e o tom reverencial com que estão expostas as obras do acervo do Museu Mariano Procópio na Pinacoteca de São Paulo exaltam a qualidade artística, técnica e histórica da coleção juiz-forana, exibida como a proporcionar uma aula aos espectadores. Em cartaz desde o dia 8 de novembro, no complexo administrado pelo governo paulista e situado na Praça da Luz, a exposição “Coleções em diálogo: Museu Mariano Procópio e Pinacoteca de São Paulo” tem estreitado os laços da instituição mineira com um público bastante amplo. Até a primeira semana de dezembro, o museu já havia recebido mais de 80 mil visitantes, conforme informações fornecidas pela assessoria de imprensa da Pinacoteca. De acordo com estimativas da instituição, de todos os que passaram pelo grande prédio, ao menos 30 mil assistiram a mostra cujo grande protagonista é o quadro “Tiradentes supliciado”, de Pedro Américo.
Nesse mesmo período, o parque do Museu Mariano Procópio contabilizou cerca de 16 mil entradas, das mais de 200 mil desde janeiro, segundo dados da Fundação Museu Mariano Procópio. “O impacto da exposição em si corrobora nossa política de preservar, conservar e comunicar. Essa mostra, feita fora de nosso complexo, solidifica a proposta de fazer reconhecer como de importância internacional nosso acervo”, comemora o superintendente do Mariano Procópio, Douglas Fasolato. Dentre os frutos da enorme visibilidade conquistada estão a cada vez mais próxima possibilidade de duas exposições na Casa Fiat, de Belo Horizonte, para 2015, além de contatos para pesquisa e outros projetos futuros.
“O museu, localizado em Juiz de Fora, possui um dos mais notáveis conjuntos de obras de arte histórica fora do eixo Rio-São Paulo, e o trabalho desenvolvido pelas equipes dos dois museus foi muito além do simples trânsito de objetos para uma exposição. Foram meses de trabalho de pesquisa para aproximação e articulação das obras; para os procedimentos de conservação e restauro realizados pela Pinacoteca; para a confrontação de registros e documentos; para o planejamento do espaço e dos programas relativos à mostra”, comenta Ivo Mesquita, diretor da casa paulista, em texto para o catálogo que deve ser lançado em janeiro, quando haverá um ciclo de palestras com pesquisadores e as duas curadoras da exposição, Fernanda Pitta e Valéria Piccoli.
O momento certo
Estar na maior capital brasileira, em um dos espaços mais respeitados do país, por si só, já demonstraria o reconhecimento do Museu Mariano Procópio. Contudo, o que a coleção juiz-forana conquista, estando na Pinacoteca, é a possibilidade de se tornar visível a um público muito amplo. Justamente nesse momento, o australiano Ron Mueck exibe suas grandes esculturas no mesmo endereço. Uma das mais frequentadas mostras do Rio de Janeiro em 2014 tem gerado filas e mais filas na Pinacoteca. Enquanto o mês de novembro levou pouco mais de 60 mil visitantes às galerias, nos sete primeiros dias de dezembro passaram por lá aproximadamente 20 mil espectadores, o que demonstra o crescente interesse do público, criando, assim, um número considerado superlativo até mesmo pelo museu paulista.
Um dos principais nomes do hiper-realismo, o artista apresenta seu “casal debaixo do guarda-sol”, com quase quatro metros de altura, além do emocionante trabalho “Homem em um barco”, com quase dois metros de comprimento. Já na exposição “Coleções em diálogo”, que ocupa o segundo andar do prédio e ostenta um imenso banner na fachada (o que confirma a visibilidade para o Mariano Procópio), três seções destrincham as relações entre as coleções que convergem através de artistas como Henrique Bernardelli. Na sala “Os artistas viajantes”, está a pintura de paisagem, em “O ensino acadêmico”, obras com temas ligados à história nacional e, na terceira sala, a representação do feminino, com foco para a pincelada de Maria Pardos. Para o superintendente do museu, afora o amplo conhecimento popular, também está em xeque a importante e cara restauração de obras expostas. Telas e molduras originais, bem como esculturas, foram completamente revitalizadas, sem qualquer custo à instituição juiz-forana. Mesmo em reforma há anos, o museu dialoga com o público, deixando, assim, um gosto ainda maior pelas portas abertas.
COLEÇÕES EM DIÁLOGO: MUSEU MARIANO PROCÓPIO E PINACOTECA DE SÃO PAULO
Visitação de terça a domingo, das 10h às 17h30. Às quintas-feiras, até as 22h. Até 22 de março
Pinacoteca do Estado de São Paulo
(Praça da Luz 2 – Luz – Tel.: 11 3324-1000)
Grátis às quintas após às 17h e sábados o dia todo

