O grupo Alquimia começou em um show de talentos na escola, quando amigos aprenderam duas músicas para apresentar à plateia. Eles enxergaram ali uma oportunidade: levar a “brincadeira” a sério e profissionalizar o grupo de pagode, para que passasse a marcar presença em aniversários, casamentos e eventos diversos. O que começou de maneira despretensiosa cresceu e chega aos 15 anos de trajetória, hoje como uma banda com presença regional e composições próprias.
Para celebrar o aniversário, eles irão gravar pela primeira vez um projeto audiovisual, no Cine-theatro Central, nesta segunda-feira (19), com a presença de convidados especiais que fazem parte dessa trajetória. Entre os nomes, estão os grupos e os artistas Vou Zuar, Pra Valer, Pedro Felipe, Jefinho, Michel Fujiwara e Fabio Miudinho.
Da formação original do grupo, permanece Rodrigo Pires. Foi somente em seguida que Mateus Marchiote e Leo Miroudo entraram, formando o trio que hoje dá cara ao grupo. Como conta o vocalista, o convite para participar veio por acaso: ele não era cantor profissional ainda, e estava fazendo uma participação no show do Bombocado por ser amigo do grupo. “Eles me convenceram a participar e comecei a fazer aulas de canto”, relembra Mateus.
Tantos anos depois, ele entende que o que fez o grupo permanecer junto foi a vontade de profissionalizar a carreira. “A partir do momento em que montamos uma banda, com músicos de fora e de apoio, entendemos que era mais que uma brincadeira. Passamos a tratar como CNPJ, como uma empresa que precisava se organizar na parte financeira e na parte de marketing e também na evolução musical”, conta.
Ao longo de todos os anos se apresentando, eles mantiveram uma identidade que se conectava com o público: isso foi construído, na percepção dele, a partir de um repertório com clássicos do samba e do pagode, incluindo Sorriso Maroto e Thiaguinho. “Também conseguimos fazer as músicas atuais de forma que só o Alquimia toca, além das nossas músicas autorais. A gente mostra muita verdade no que a gente faz e no que a gente se propõe a entregar pra quem contrata a gente”, destaca.
A ideia de trazer músicas autorais surgiu acompanhando o trabalho do grupo Melhor Assim, também da cidade. Eles então lançaram o primeiro trabalho em 2015, ainda no formato de CD, e viram que deu certo. “As pessoas passaram a se identificar mais com o que a gente fazia. A partir daí, fizemos mais dois discos autorais, e hoje temos quase 30 músicas autorais.”
DNA do pagode
Na hora de subir no palco, o grupo também percebe uma coisa: não podem faltar as músicas mais pedidas pelo público. Até porque, com todos os anos no mercado, viram o pagode ganhando o gosto de um público cada vez maior, e por isso também alterando o próprio som e seguindo tendências.
“No começo dos anos 2000, vimos que as pessoas tinham muita inspiração no Revelação, que era um pagode mais pra frente, com ritmo mais de samba no pé. Mas hoje, depois da pandemia de Covid-19, vejo como o maior momento do pagode. Se tornou o principal estilo do país, junto com sertanejo e funk.”
E, neste momento, ele percebe que o estilo que mais tem chamado a atenção dos amantes do gênero é justamente o “pagode romântico”, como também já foi nos anos 1990. A diferença, desta vez, é que as músicas são mais curtas para caber na programação do rádio ou mesmo para ganhar o ouvinte, que, segundo ele, é mais imediatista que antes. “Cultivamos essa nostalgia com um toque moderno pras músicas, para continuar no mercado da forma mais presente possível”.
Momento certo
A ideia de gravar um projeto audiovisual veio justamente para celebrar a história que construíram até aqui, mas também para continuar os próximos passos da trajetória que querem ter. O momento, para ele, é o ideal: “Estamos mais maduros e com uma carreira regional consolidada, com muitas músicas autorais. Queremos celebrar esse momento em um espaço em JF que é um ponto turístico e que tem a cara da cidade”, diz Mateus.
Para ele, uma das maiores vantagens do pagode é estar presente na vida das pessoas em seus momentos mais felizes. Também por isso, os 15 anos da banda são um momento de reencontro: “Além de criar fãs, fazemos amigos nessa trajetória”.

