Ícone do site Tribuna de Minas

Lei Murilo Mendes aprova 64 projetos

PUBLICIDADE

Atualizada às 18h17

Na edição deste ano da Lei Murilo Mendes, 64 projetos foram aprovados (confira ao final da matéria), três a mais que em 2012, conforme publicado nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial do Município. Mais uma vez, a literatura encabeçou o processo, com 18 trabalhos. Em seguida, estão música (16), audiovisual (9), artes cênicas (7), artes visuais e patrimônio/memória (6 cada), outras (2). Entre as produções, 49 se encaixam na categoria custo padrão, que tem como teto o valor de R$ 28 mil. No total, será distribuído R$ 1milhão. O restante, 15, pode receber até R$ 4.500, verba destinada à categoria baixo custo. "O resultado foi o esperado. A maior parte dos proponentes nunca foi contemplada, o que achamos ótimo. Sendo uma lei de incentivo, a intenção é agraciar pessoas que se inscrevem pela primeira vez, que trazem ideias novas. Claro que também há quem participou em outros anos e que trouxe ideias inéditas", afirma Fernanda Amaral, secretária da lei.

PUBLICIDADE

De acordo com Fernanda, o recurso será dividido em três parcelas. Se a documentação ficar pronta ainda este ano, o primeiro montante deve ser pago até dezembro. "Tenho que fazer todos os contratos e convocar os aprovados. Eles têm que abrir uma conta. O processo não é tão rápido como todos pensam." Ainda, segundo Fernanda, o ponto de corte foi 83. "É realizada uma listagem por ordem decrescente de pontos até chegar no limite das verbas, de forma que seja feito um equilíbrio entre as áreas, proporcionalmente. A que tiver um número maior de inscritos aprova mais."

Neste ano, 263 propostas concorriam ao financiamento cultural, sendo que 60 foram eliminadas na etapa de análise documental. Na lista dos problemas mais comuns, estavam ausência de comprovante de residência, falta de autorização para uso de textos e imagens e a não apresentação de cartas de anuência dos locais onde os trabalhos deveriam ser executados – documentação exigida em edital. "O que é analisado não é só o produto artístico, mas o projeto em si. Às vezes, valores incompatíveis podem desclassificar a proposta. Ela pode ser muito legal, porém não está adequada no papel", explica a secretária.  

Novas ideias para 2014

Pela primeira vez aprovada na Lei Murilo Mendes, com R$20.035,20, Uiara, do grupo Uiara e os Leigos, composto por Geison Vargas (bateria), Fábio Dias (violão), Lula Ricardo (baixo) e Rick Vargas (percussão), prepara o CD "Meu canto é segredo". Produzido por Marcelo Moysés, o segundo álbum da cantora apresentará 11 canções autorais e inéditas, em uma batida repleta de influências da MPB e raízes africanas. "É o terceiro ano que tento o apoio da Prefeitura. Acho que finalmente a gente conseguiu o reconhecimento pelo trabalho que temos feito", diz Uiara, que pretende entrar em estúdio assim que a verba for liberada.

PUBLICIDADE

Representante do patrimônio, Yussef Daibert Salomão de Campos pretende dar corpo ao livro intitulado "Proposições para o patrimônio cultural". Ele é autor da obra "Percepções do intangível", lançada em fevereiro de 2013. "Será um conjunto de artigos sobre diversos temas, desde memória até legislação. No ano passado, minha proposta tinha uma falha técnica. Cheguei à terceira fase, mas o orçamento era muito elevado", justifica ele, que receberá R$ 4.435 para executar o projeto. 

Já veterano na lei, o ator e diretor Tairone Vale trabalhará em cima de "Cortina de vidro". O curta, ambientado aqui na cidade, conta a história de um casal de amantes que, em um determinado momento, descobre nunca ter se beijado, embora a relação seja puramente carnal. "Como todo produto artístico, a gente tem que apertar o cinto. O processo estava parado, não mexi em nada porque estava esperando a publicação para começar a produzi-lo. Não sei ainda onde ele foi cortado e o motivo", diz Vale, agraciado em 2010 com o espetáculo "Uma história oficial", concorrente ao Prêmio Shell de Teatro como melhor direção para Rodrigo Portella.

PUBLICIDADE

Nas artes cênicas, Marcos Marinho figura pela quinta vez. Ele e sua trupe vão misturar uma tragédia grega a uma performance de palhaçaria. A ideia chegou por meio do diretor chileno Alberto Kurapel. "Perdida! Eléctra num mundo de palhaços" é resultado de um intercâmbio. Para dar tempo de fazermos uma série de estudos, estrearemos, provavelmente, depois do carnaval. É a primeira vez que monto com um texto clássico", comenta o diretor, já planejando levar a peça juiz-forana para outras paragens. " O Kurapel está tentando outras leis no Chile. Parece que ele já até ganhou uma parte. Se tudo der certo, depois daqui, voaremos para lá." 

Sair da versão mobile