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De volta à ribalta

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O país se preparava para enfrentar os anos mais áridos de sua história política. Já dando sinais do que seria desenhado nas próximas cinco décadas, o jovem José Luiz Ribeiro, dois anos antes de ingressar na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, emprestava seu discurso provocativo e incisivo para "Brasil espaço 63". Além de marcar a estreia do juiz-forano como dramaturgo, o espetáculo, encenado pelo Grupo Jovem do Contato, registra o primeiro trabalho, como ator, do diretor do Grupo Divulgação.

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Após o hiato de dois anos longe dos palcos – a última vez foi em "Depois da novela das oito", também de sua autoria -, Ribeiro retorna à ribalta na pele de Argan, o último dos personagens de Molière. A partir da apresentação desta quarta, somente para convidados, o Divulgação segue com temporada de "O doente imaginário" até o dia 1º de dezembro, de quarta a domingo, às 20h30, no Forum da Cultura.

"Molière é um autor muito querido, principalmente pela sua história de vida. O pai não queria que ele continuasse no teatro. Depois, ele ainda acabou sendo preso. É uma história do povo do teatro, das nossas dificuldades para montar um espetáculo", afirma o diretor, que já viveu Jourdain, de "O burguês fidalgo", e Arnolfo, de "Escola de mulheres", ambas do escritor francês. "São os três grandes papéis dele", explica. "São todos, num certo sentido, perdedores", completa.

Ícone da commedia dell’arte, "O doente imaginário", adaptado por Ribeiro, traz a história do velho hipocondríaco e apalermado para o conturbado mundo contemporâneo. "Fiz as tradução, porque, se pegarmos as que estão disponíveis, a linguagem é muito antiga. Dei a ela uma roupagem mais próxima ao tempo em que estamos vivendo. No original, havia uma parte que tinha um balé, tudo porque Luiz XIV gostava. Cortei o balé e inseri outros elementos mais interessantes. A peça ficou mais ágil. Ninguém tem paciência para ficar três horas assistindo a um espetáculo."

Julgando-se enfermo, o homem acata toda e qualquer ordem de seu médico, que, por sua vez, se aproveita da situação. O objetivo do esperto protagonista é ver a filha com um bom marido. O tom de humor é garantido com as figuras arlequinescas. De um lado está a empregada Tonica, de Márcia Falabella. Ela vive em conflito com o mal-humorado patrão ao questioná-lo sobre suas supostas doenças e o casamento arranjado para Angélica, da atriz Taysa Ferreira. De outro, está Beleza, a esposa interesseira interpretada por Fátima Amorim, e Beraldo, padrinho da menina, vivido por Jefferson Oliveira. "É um momento oportuno para discutir o programa ‘Mais médicos’. O médico tem ou não tem competência, cura ou não cura? Essas perguntas dividem opiniões", reflete o diretor, justificando a atualidade do tema. Também compõem o elenco os atores Yago Navarro, como o doutor Desaforo, Dowglas Mota, como o doutor Ross, e Saulo Machado, o senhor Boa Fé. Victor Dousseau faz o doutor Tomaz Desaforo, e Michell Costa, Cleanto.

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Última obra de Molière, "O doente imaginário" também se tornou conhecida por estar relacionada ao momento mais forte de sua biografia. Em cena aberta, enquanto vivia Argan, o dramaturgo sofreu um colapso, falecendo horas depois.

 

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Cenário e figurinos de época

O cenário e o figurino remetem a outros tempos. Para voltar à época de Molière, a trupe optou por perucas e maquiagem bem marcada. Cama e cadeiras antigas, revestidas com tecido floral, além de cortinas com bandô, tapetes e lustres, reconstroem o quarto de Argan, no século XVII. O tipo de montagem se diferencia das mais recentes produções do grupo, que nos últimos anos levou para o palco espetáculos que fogem aos clássicos. "Não dá para montar um grande Shakespeare por causa da própria estrutura da nossa cidade. O público não está acostumado com isso, só quer saber de stand-up. O segundo ponto é o elenco. Em Molière, temos uma vivacidade que dá para ser trabalhada de uma maneira muito tranquila. Gostaria de montar trabalhos, como "A morte do caixeiro viajante", de Arthur Miller, mas não temos elenco para isso. Não adianta tentar fazer e não funcionar", afirma Ribeiro.

Fechando as comemorações de meio século de teatro, será lançado em 9 de novembro o livro "José Luiz Ribeiro – 50 anos de teatro", coordenado por Ieda Alcântara, Oswaldo Alvarenga, José Santos e Tadeu Costa. Certo de que os tempos vividos provocaram um crescimento ao diretor, ator e dramaturgo, José Luiz Ribeiro olha para trás e enxerga um jovem apaixonado pelo que fez e um senhor saboreando as conquistas da maturidade. "Tinha menos conhecimento de vida. Se eu refizesse alguns personagens, claro que teria outra visão", finaliza, não sem antes se emocionar com suas palavras comoventes, reflexos de uma época que "valeu a pena". "Fiz tudo com muita paixão, o teatro, a faculdade e o jornalismo. Essas três coisas me deram alento na vida."

 

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O DOENTE IMAGINÁRIO

 

De quarta a domingo, às 20h30

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Forum da Cultura

(Rua Santo Antônio 1.112)

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