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Balanço gráfico

jorge arbach comecou a atuar profissionalmente como ilustrador na tribuna

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Jorge Arbach começou a atuar profissionalmente como ilustrador na Tribuna
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Jorge Arbach começou a atuar profissionalmente como ilustrador na Tribuna (Foto: Olavo Prazeres)

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Foi na Tribuna que Jorge Arbach começou a sujar as mãos de tinta, profissionalmente, para “falar” por meio de imagens, e o trabalho continuou, posteriormente, no “Jornal da Tarde”, no “Jornal do Brasil” e em outros veículos impressos. Dos desenhos, o artista de Volta Redonda (RJ) três vezes vencedor do prêmio Vladimir Herzog nunca se afastou, mesmo no período em que ficou distante das redações. Mais de 30 anos após o início da jornada no jornalismo diário, Jorge faz um balanço de suas memórias com o projeto virtual “O fato gráfico”, lançado com apoio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. Em www.jorgearbach.com.br, o internauta encontra uma série de ilustrações de Jorge Arbach publicadas na imprensa nas últimas décadas.

Navegar pelo site é bem fácil, pois a disposição dos links é didática. Sem seguir uma ordem cronológica, ele apresenta as imagens acompanhadas das páginas onde elas foram publicadas. “Sempre me preocupei em fazer essa junção da ilustração com a diagramação”, diz Arbach, querendo reforçar sua preocupação com a composição visual. “É necessário que eu tenha uma boa ideia, mas o trabalho gráfico também precisa estar refinado.” E o que tem de especial nas imagens selecionadas para o recorte? “São vários lotes de ilustrações que ainda virão. Essa é uma pré-seleção, é só a primeira parte. Fui pescando os trabalhos”, comenta ele, que levou um ano para resgatar as imagens e as páginas, escaneá-las e levá-las para o site, desenvolvido eletronicamente por Marcio Henrique de Oliveira.

“Como agora estou saindo da academia e retomando minhas atividades como artista gráfico, resolvi aproveitar a nova tecnologia para resgatar esse material fugaz e o produto que vai se perdendo”, conta o também arquiteto e professor convidado da faculdade de arquitetura da Universidade Federal de Juiz de Fora, defendendo com “unhas e dentes” a função de sua arte. “A ilustração joga com o imaginário do espectador, porque não é mera descrição do texto, faz o leitor pensar. Traz o subtendido. Ilustrar é dar à luz”, afirma Arbach. Aliás, esse é o tema de sua tese de doutorado apresentada em 2007, na Escola de Comunicação e Artes da USP, que agora está também disponível na página virtual. “Mesmo tendo uma linguagem forte e poderosa, a ilustração não é considerada um gênero jornalístico. Meus trabalhos são reflexivos e sobrevivem sem o texto.”

Contribuição para a memória

A criação traz uma contribuição para a história de Juiz de Fora e do Brasil, pois o conjunto permite revisitar as transformações sociais ocorridas no país a partir da década de 1980. Arbach foi testemunha dos duros anos de chumbo, e sua pena foi instrumento de resistência. Também viu a campanha pelas “Diretas já” e não deixou de se debruçar sobre o assunto. “Não tive a preocupação de fazer algo que fosse para a cidade, pois sinto que ela já está envolvida em toda atividade que realizo. Isso está impregnado em mim”, dispara o artista, ciente de que sua nova obra colabora, principalmente, com a pesquisa. “Gosto de plantar algo que frutifique. Queria criar esse conjunto de documentos e, mais ainda, algo que vai continuar pulsando daqui para frente, abrir esse campo para o ilustrador, mostrar como deve ser essa atividade. É preciso continuar sustentando essa proposta de a ilustração ser um baluarte para o jornalismo.”

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Principal companheiro do ilustrador nas produções de matérias de literatura e de shows para o “Caderno Dois”, o jornalista Jorge Sanglard vê o trabalho de Arbach como um marco na imprensa juiz-forana. “Até aquela época, os jornais de Juiz de Fora eram muito caretas. Não exploravam a identidade visual das ilustrações e, no máximo, usavam uma foto como decoração da página. Quando a Tribuna adotou a cor, o Jorge, que desenhava com nanquim, também buscou se adequar às mudanças. Todas as ilustrações que ele fez para a minha página têm vida própria”, diz Sanglard.

E o que sente um artista que construiu sua história sentindo a textura do papel e ouvindo o barulho do lápis, ao ver as imposições dos novos tempos? “O jornal não é o mesmo que antes, ele está perdendo leitor para as novas tecnologias, mas não vai morrer. Acho que vai ficar ainda melhor, vai ficar mais opinativo. Será um espaço para reflexão e não mais para a notícia”, acredita Arbach, feliz por deixar mais esse rastro para a eternidade. “Olhando de fora do caldeirão, percebo a importância de eu ter atuado. Na época do Collor, eu estava no ‘Jornal da Tarde’. Não fui omisso, larguei pegadas na história.”

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