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Tira por tira

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Uma publicação do psicólogo alemão Frederic Whertam (como descrito no livro "Seduction of the innocent", de 1954) trazia uma tese em que os quadrinhos eram vistos como nocivos, assim como, também na década de 1950, o Senado americano havia criado uma subcomissão para estudar a má influência dos quadrinhos para crianças e adolescentes. Mas não demorou muito para o gênero ganhar a adesão das massas através das famosas tiras, hoje, inclusive, muito utilizadas na educação infantil como incentivo à leitura. Para comprovar a popularização da técnica de fazer rir através de HQs, o trabalho "Começando do zero", de Anderson Delfino, de Sorocaba (SP), ficou em primeiro lugar no 4º Salão de Humor de Juiz de Fora, interrompendo a invencibilidade de trabalhos em cartoons e caricaturas no concurso. A exposição será aberta amanhã, na Galeria Heitor de Alencar do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).

Por perder o prazo da inscrição nos anos anteriores, Anderson Delfino, 51 anos, diz que nunca esteve no Salão de Humor local. A estreia, portanto, parece ter dado sorte. Sem saber se vem ou não para a abertura da mostra, ele justifica sua opção por um personagem conhecido do grande público, envolvido numa empreitada escolar. "O Zorro só sabe escrever a letra ‘Z’, por isso, no meu HQ, ele começa do ‘zero’ e aprende todas as letras do alfabeto", explica o desenhista, que atua como cartunista e chargista do periódico "É Jornal", do Vale do Ribeira (SP). Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, ficaram os cartunistas Élcio Danilo, de Caratinga (MG), com "A evolução", e Sérgio Luiz Roda, de São Carlos (SP), com trabalho sem título.

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Para o artista plástico Daniel Rodrigues, da comissão organizadora da Funalfa, o fato de um trabalho em HQ ter faturado o primeiro lugar revela o desenvolvimento da categoria, que nunca havia saído vencedora do concurso. Esta edição, para ele, se superou pela qualidade das propostas inscritas. "Mesmo aquelas que não foram selecionadas demonstram maior profissionalismo do setor", destaca Rodrigues, sobre as 64 obras dos 32 artistas – seis de Juiz de Fora – aprovadas para entrar na mostra pela comissão julgadora formada pela designer Ligia Lacerda, a produtora cultural Fernanda Laura e o desenhista Anderson Magalhães.

Foram recebidos trabalhos de 25 municípios brasileiros, entre Minas, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Os três melhores receberão prêmios em dinheiro, sendo R$ 1.500 para o primeiro, R$ 1.000 para o segundo e R$ 800 para o terceiro. Além desses, serão concedidos um prêmio especial do júri a Jonas dos Santos, de São Paulo (pela caricatura "Miles Davis") e três menções honrosas: Luiz Carlos Baptista, de Maricá, no Rio (caricatura sem título), Eder Santos, de São Paulo (cartum sem título) e Dilmar Kempner, de Teresina, no Piauí ("Senhor Madruga"). Destaque também para o trabalho de Moisés Macedo Coutinho, de Mogi Guaçu (SP), que prestou um tributo ao chargista Bello, homenageado no 1º Salão de Humor, em 2009. A lista completa dos selecionados pode ser conferida em www.tribunademinas.com.br.

 

 

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