Mesmo depois de ter se reunido para um projeto ao vivo da MTV há dez anos e lançado um box comemorativo dos 25 anos de carreira em 2008, a banda decidiu se juntar de novo e – parece que – de vez, chegando a alcançar a marca de mais de 70 shows só em 2011. Há um ano, Paulo Ricardo (vocal e baixo), Fernando Deluqui (guitarra), Luiz Schiavon (teclados e programação) e P.A. (bateria) acertaram a mão ao se reencontrar para consolidar a parceria em Elektra, disco de inéditas, com 12 faixas assinadas por Schiavon e Paulo Ricardo, e um CD de sete remixes produzidos por Joe K. O disco não soa anos 80. É CD do RPM, com o jeito de cada um e o DNA do RPM, destaca Luiz Shiavon, mantendo a identidade do grupo na era pós-punk em que nasceu.
O músico, em entrevista à Tribuna, garante que a maior fonte de inspiração é o próprio RPM e os 28 anos de carreira. A história vem muito do olhar para a própria história. A banda aprendeu a destruir o próprio mito. A gente aprendeu que o RPM é uma dádiva, ressalta.
E eles não pretendem parar. Este ano, vamos percorrer algumas cidades do interior, festa de peão e capitais, de uma forma muito homogênea, do Norte ao Sul do país, uma passada geral pelo Brasil, onde ainda estamos preocupados em consolidar esse retorno. É evidente que pensamos em Europa e EUA também, mas isso vai ficar para depois, afirma Shiavon.
Tribuna – A maneira de compor ainda é a mesma, após tantos anos?
Schiavon – Sim, a forma de compor é a mesma, a gente retomou até a maneira mecânica dos nos 80. A diferença é que temos, hoje, tecnologia. Quando me encontrava com o Paulo (Ricardo) para compor, nós nos enfurnávamos num quartinho com dois teclados e uma bateria eletrônica. Fazia experiências num gravador K7, e essa era a fase mais rica da banda. Hoje, tenho um estúdio em casa de 192 canais, além de um estúdio comercial. Com o avanço tecnológico, você passa a não ter limites. Faço música de manhã e mando para o Paulo no almoço. Utilizamos todo esse acesso rápido a nosso favor, o maior diferencial é esse.
– Qual é a receita para tantos anos ainda esbanjando rock and roll?
– Paixão pelo que faz. A gente gosta de tocar junto, se diverte muito no palco. Estamos muito entusiasmados com o repertório também, a equipe é maravilhosa, amadurecemos como músicos, estamos mais leves e preparados para o improviso no palco, deixando mais espaços para solos e duelinhos.
– O projeto do disco inclui remixes de sete faixas. Como foi idealizado?
– A música eletrônica é parte do DNA da banda desde 1983, quando já íamos com computador para o palco. Em 1985, em Loira gelada, o DJ Grego fez o primeiro remixe da história da música brasileira, e o RPM é da noite, a música para dançar na pista é muito forte em nossa história. E hoje essa cultura de o DJ mixar a música pop é muito interessante para nós. Por sugestão da produção, optamos por um segundo disco, só de remixes, e sem custo para o comprador.
– O site de vocês é visualmente atraente. Vocês investem muito nisso?
– É inevitável fazer assim, mas depende do envolvimento pessoal, o P.A., por exemplo, não é tão envolvido, mora num sítio. Eu e Nando somos mais interneteiros, temos essa preocupação, enxergamos o trabalho de forma integrada, pois não dá para falar de CD ou DVD sem pensar na linguagem gráfica, e o clima do site é o clima do produto. Mas ainda vamos reformular mais o site, terceira vez em um ano.
