Ícone do site Tribuna de Minas

Lanches e Filmes do Mato lançam clipe da música ‘A espada era a lei’

clipe ‘A espada era a lei’
Clipe teve direção de Bruna Schelb e Luis Bocchino, da Filmes do Mato (Foto: Yan Gabriel/ Divulgação)
PUBLICIDADE

A banda Lanches e a produtora Filmes do Mato lançaram, juntas, o clipe da música “A espada era a lei”. A canção, composta por André Medeiros, nasce das angústias da vida adulta e do sentimento de alienação diante das exigências de uma sociedade hiperconectada e ultra consumista, na qual as conquistas precisam ser continuamente enumeradas e exibidas. Na canção são destacadas como conquistas dignas de nota, no entanto, uma série de objetos ordinários, como o DVD do filme da Disney que dá o título. A produção ganhou novas camadas no audiovisual, quando a diretora e roteirista Bruna Schelb captou nesse narrador uma voz infantil. Com contrastes e bom humor, a expressão visual da música funciona como uma brincadeira com jeito de ser juiz-forano.  

Cenas do clipe criaram ‘absurdos visuais’ (Foto: Yan Gabriel/ Divulgação)

A parceria surgiu da vontade de Luis Bocchino de fazer um clipe da banda, pelo diálogo que já imaginava ter entre a produtora e o som que faziam. A proposta foi feita para André, que contou ter enviado duas músicas e ter deixado os dois diretores decidirem qual seria gravada. A partir desse momento, eles passaram a pensar como “traduzir” o que estava sendo sentido pela letra por meio das imagens. “Esse foi o primeiro clipe em que eu estava na direção, e a primeira diretriz que eu queria seguir era a de brincar mesmo. A música tem um tom pessimista, de não saber fazer as coisas direito e nada dar certo. Mas ao mesmo tempo é muito jocosa, e apostei nesse lado”, conta Bruna. 

PUBLICIDADE

Essa oposição entre um dilema da vida adulta e um narrador que deixa escancarar a criança que vive dentro dele foi bem recebida pela banda. “É sempre muito bom saber a interpretação de outras pessoas sobre as minhas canções. Isso está no DNA do meu trabalho. Lido com a contradição e a ambiguidade, e espero realmente provocar interpretações diversas. A Bruna não só elaborou isso como transformou esse material, junto com o Luis e com toda a equipe, em uma obra que complementa a canção”, conta André, que também fica com o vocal e a guitarra. O quarteto da Lanches é completado por Stéphanie Fernandes (baixo), Victor Fonseca (bateria) e Amélia do Carmo (synths e percussão).

Essa interpretação remetia a elementos como o nome da música e o fato do eu lírico negociar o DVD de “A espada era a lei” como um bem precioso. “Isso já levava a gente para esse lugar da infância. O contraste está em uma situação que aconteceu muito comigo, quando eu era pequena, que era ficar pensando ‘Meu Deus, o que eu vou ser quando crescer?’ e ficar vasculhando a minha mente e pensando ‘Não sou boa em nada, não vou conseguir fazer nada’. A gente cresce e não sabe ser adulto, às vezes”, explica a diretora e  roteirista. O projeto foi realizado através do incentivo da Lei Murilo Mendes, por meio da FUNALFA e da Prefeitura de Juiz de Fora.

Quarteto musical é composto por André Medeiros, Stéphanie Fernandes, Victor Fonseca e Amélia do Carmo (Foto: Yan Gabriel/ Divulgação)

Absurdos visuais

O clipe evoca imagens como um macarrão com molho de tomate que nunca dá certo, mini instrumentos saindo da comida, membros da banda com o rosto rabiscado como bonecos e cantoria provocando situações diversas — como chaves saindo da goela e o palco sendo o chuveiro. Tudo, conforme ela explica, fazia parte dessa atmosfera brincante da infância. “Queria ter uma imagem bem realista desses absurdos visuais que a gente tava criando”, explica. 

Apesar da letra ter começado a ser escrita de um ponto de vista bem pessoal, André percebeu que essas imagens reforçavam um efeito que ele já desejava. “Acho que o bom humor é um equilíbrio, não é casual. É o desejo de transmitir essa ideia de uma forma equilibrada, com o vocabulário e o clima da música, que não estão ali por acaso”, conta. E, nesse processo, ele também destacou a interpretação da Carine Vieira em LIBRAS, que traz mais uma camada para a música.

PUBLICIDADE

Nesse processo todo de elaboração ocorreram, ainda, situações inacreditáveis criadas com objetivos bem definidos. Enquanto grandes artistas do pop deixaram de investir milhões em grandes projetos de videoclipe, a parceria reforça que esse gênero possui um potencial de expressão enorme: “O clipe representa uma oportunidade de criar livremente. É um formato geralmente curto, com cerca de 5 min, e é uma história que se encerra com a música. Podemos ser literais ou fazer uma história que não tem nada a ver com a música, mas que representa o sentimento que ela causa”.

Sair da versão mobile