
Neste sábado (16), o espaço Estação Cultural comemora 30 anos de existência. Para a ocasião, a casa preparou um dia de aulas práticas. Das 15h às 16h, Silvana Marques oferece uma aula de dança de salão bônus. Das 16h às 19h, o espaço recebe Leo Fortes e Robertinha, expoentes do samba de gafieira e do samba funkeado para a aula desses ritmos. Depois, de 21h a meia-noite, o salão é aberto para a prática dançante. As inscrições podem ser feitas no Instagram @estacao_cultural.
Silvana Marques é a idealizadora do Estação Cultural. Ela conta que trouxe a Juiz de Fora Leo e Robertinha porque, além de carregaram um nome importante para o movimento, mostrando a arte que praticam mundo a fora, eles também valorizam o samba e, de acordo com ela, “entregam uma mensagem de que o ritmo e a dança não estão presentes só na escola de samba”. Existem várias formas de praticá-lo, seja a dois ou acompanhado, e elas serão abordadas no dia. De uma maneira livre, como a dança pede e permite.
Estação Cultural: dança e patrimônio
O Estação Cultural começou no Clube Caiçaras – hoje demolido. Depois, Silvana relembra que a escola ficou por dez anos localizado no Bairro São Mateus. Em seguida, mudou-se para a Praça da Estação, para um casarão cultural e histórico. A idealizadora diz que, com essa mudança, outras coisas foram incorporadas à dança que, como forma de arte, aspira outros movimentos e acontecimentos. “Parece que a nossa missão ficou um pouco mais ampla: saiu das paredes e foi para a praça.” Por causa disso, novas apresentações foram incorporadas, abordando a memória afetiva e a importância dos patrimônios para a cidade. A própria Silvana fez uma série de performances sobre isso, buscando reverter a ideia estigmatizada dos juiz-foranos sobre o adjetivo “baixo” usado em relação às ruas Halfeld e São João, entre outros. A ideia é mostrar as memórias afetivas construídas por esses lugares. “A gente tentou e eu sinto que a gente conseguiu, dentro do possível, valorizar esse espaço e modificá-lo”, pontua.
Em conjunto com a inauguração do Estação Cultural, em 1991, aconteceu um retorno da dança de salão em Juiz de Fora. Durante um tempo, a partir do final dos anos 1960 e o avanço do iê iê iê, o ritmo e a forma de dança foram sendo deixados de lado. O espaço propôs esse retorno que, de acordo com Silvana, nunca mais “saiu de cena”. Hoje em dia, parece que ele foi se alterando e ganhando outros significados. O espaço abraça todas elas, mas, ao mesmo tempo, busca valorizar a origem das coisas. “E vamos seguindo com todas essas adequações que vão acontecendo com a nossa dança. A gente sabe que dança é vida e reflete a vida, e faz a gente repensar a vida”, finaliza.

