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Do lado do bem

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Interpretar personagens de caráter inquestionável sempre parece uma tarefa complicada para os atores. Primeiro, pela trajetória retilínea que normalmente eles tomam, sem o charme do politicamente incorreto carregado pelos vilões. Mas também pelos inevitáveis clichês nos conflitos românticos, principalmente em tramas mais leves como as das 19h. Mesmo assim, Armando Babaioff transborda orgulho ao falar sobre o sensível Érico, papel que interpreta em Sangue bom. Aos 32 anos, o pernambucano acredita que tem nas mãos um dos papéis mais ricos de sua carreira na TV. É um personagem bem escrito, estruturado e cheio de nuances. Uma grande porta de sentimentos e emoções onde precisei mergulhar para entender e conseguir dar vida a ele, avalia o ator, que estreou na telinha como o encrenqueiro Felipe de Páginas da vida, em 2006.

Na trama, Érico é um publicitário que, no início da novela, só pensava em progredir no emprego e casar com a noiva Renata, vivida por Regiane Alves. Mas tudo mudou a partir do capítulo 33, quando flagrou a amada nos braços do bad boy Tito, papel de Rômulo Neto. E isso depois de ser demitido pelo recalcado Natan, de Bruno Garcia. Normalmente, vemos histórias de encontros nos folhetins. O que mais me instigou ali é que, na minha visão, mostramos a despedida de um casal que namorou durante 15 anos e, um dia, se perdeu, analisa Armando, que não descarta uma possibilidade de volta nesse romance até o final da trama, mesmo com o envolvimento de Érico com a experiente Verônica, de Letícia Sabatella. Nas novelas, precisamos estar preparados para tudo. Nas ruas, existe uma torcida grande por esse reencontro, diz ele, que caiu no gosto de Vincent Villari depois que o autor assistiu às suas cenas como o batalhador Benoliel de Duas caras, em 2007.

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Com o rompimento do noivado com Renata, Érico foi cada vez mais inserido no núcleo do Cantaí, casa de shows que ambienta boa parte da trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent. E isso o aproximou de algo que, no teatro, já experimentou: atuar em números musicais. Sua estreia nesse segmento na TV, aliás, também se deu pelas mãos de Vincent e Maria Adelaide. Na adaptação de Ti-ti-ti, exibida em 2010, Thales, seu personagem, se casava em uma espécie de acordo de vantagens com Jaqueline, papel de Claudia Raia. Mas, depois de se assumir gay, declarava amor ao cabeleireiro Julinho, de André Arteche, com quem tinha um final feliz.

Agora, Babaioff experimenta uma nova fase de seu personagem em Sangue bom. Depois de sofrer um grave acidente e passar por uma cirurgia na cabeça, Érico enfrenta um transtorno de comportamento pós-trauma. O distúrbio emocional faz com que o personagem se torne mais agressivo e passe a ter reações que, antes da operação não teria. Como, por exemplo, ser intensamente ríspido com Verônica e surpreendentemente amoroso com Renata. Estudei um pouco disso e vi casos impressionantes. Tanto de gente que era introspectivo e se soltou quanto de pessoas mais expansivas que, com o trauma, se tornaram mais quietas, explica.

SANGUE BOM, DE SEGUNDA A SÁBADO, 19H20, NA GLOBO.

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