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Conscientização, além do amor

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Com sonoridade própria, banda toca no sábado
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Com sonoridade própria, banda toca no sábado

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A oitava edição do Ibiti Reggae vai ser prestigiada pela conscientização social e política. Este ano, das três bandas convocadas para o encontro, que acontece amanhã, duas são movidas a pura contestação. Com repertório 100% autoral, a carioca Raízes Que Cantam estreia no evento, marcado para começar às 21h, com dois álbuns repletos de militância, enquanto que a Natiruts Cover, formada por mineiros e cariocas, presta sua homenagem às letras panfletárias do grupo brasiliense. Mas não vão faltar canções que exaltam o amor e a alegria de viver, pois, para receber os convidados, a anfitriã juiz-forana Family Marley reúne pérolas deixadas pelo rei do estilo e seus descendentes.

A despeito da mudança de data – as sete primeiras edições do festival aconteceram no feriado da Semana Santa -, o produtor Rodrigo Noronha explica: Tivemos que alterar o calendário atendendo a um pedido da Prefeitura de Lima Duarte e da Associação de Moradores de Arraial de Ibitipoca (Amai), que, como nossas principais apoiadoras, queriam atrair todo o tipo de público para a serra e não um específico. Noronha é outra novidade do Ibiti Reggae, que sempre contou só com Juarez Vianna à sua frente. Estamos (ele e Vianna) numa parceria em busca de renovação, dispara Noronha, anunciando ainda a transferência da festa, que deixa o Alto das Pedras para ocupar o Camping Pousada Ibitilua. Além de mais espaçoso, é melhor localizado, justifica o produtor.

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Este ano, de acordo com Rodrigo Noronha, a noite de Jah vai ganhar sonorização digital e iluminação mais elaborada, além de quatro telões, decoração e banheiros químicos. Nosso objetivo é marcar o local com as cores e a história do reggae. A infraestrutura está melhor, garante o produtor, ao assegurar também o mês de julho como o calendário oficial do evento, que conta ainda com uma feira onde serão comercializados produtos como roupas e acessórios do gênero musical que milita.

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Entre uma atração e outra, os ritmos dub, ska, roots e new roots estão escalados para a pickup do DJ Léo Choco, que faz intervenções com guitarra e escaleta na música eletrônica. O coletivo Orangotango também marca presença, divulgando e praticando o novo esporte conhecido como slackline, espécies de manobras radicais na corda bamba.

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No ano de 1996, surgiu em Brasília a ideia de se formar uma banda de reggae. Alexandre Carlo (vocal e guitarra), na época estudante universitário da UnB, tinha a melodia como válvula de escape das suas alegrias e desilusões com a realidade brasileira, o que viria desembocar no grande sucesso nacional Natiruts. Amanhã, a verve que incendiou o circuito de reggae pelas mãos de Carlo e seus amigos será representada pelo Natiruts Cover, que leva pérolas como Presente de beija-flor, Andei só e Verbalize. Antes, a Family Marley, liderada por Rafael Cardoso, lembra hits de Bob Marley e da música contemporânea dos seus filhos Ziggy, Damian, Julian e Stephan.

Divulgar o reggae raiz e despertar no público valores reais como amor e união são o princípio básico do Raízes Que Cantam, que abre a noite com o intuito de aprimorar a consciência sobre a realidade social e espiritual em que vivemos e com isso brotar a resistência contra a opressão da ‘babilônia’, o sistema ganancioso que nos cerca, conforme o tecladista Berc Goldrini. Dar esperança e lutar por dias melhores, respeitando todas as formas de vida. O reggae mostra a realidade que acontece na economia do país, transmitindo a mensagem de que nem tudo o que os políticos falam eles cumprem, principalmente com relação a projetos sociais e obras públicas. Nossa música nasceu passa isso, assinala Goldrini, que cruza a fronteira ao lado de André Fontes (guitarra base), Bruno Agrícola (guitarra solo), Maico Dias e Diogo Viana (trompete e vocal), Gustavo Bayer (bateria) e Thiago Rebeque (baixo).

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Com nove anos de existência e muita resistência, a banda de Nilópolis lança, por aqui, seu segundo álbum O recado. Existe ainda o preconceito, infelizmente. Continuam dizendo que o reggae faz apologia às drogas e que nossa aparência, em especial o cabelo com dread, nos invalida de conseguir um bom emprego etc, lamenta o tecladista, revelando, porém, seu lado otimista quanto à abertura do mercado para o gênero. Recebemos convites para casas de shows onde imperam outros ritmos. A aceitação tem sido maior neste quesito.

Terra do samba e do funk, a Cidade Maravilhosa, mesmo que ainda em guetos, abriga a cena roots, o que proporcionou ao Raízes Que Cantam condensar a influência jamaicana, sem deixar de ser genuinamente brasileiro. Isso está comprovado nas dez faixas do novo disco, que, para os interessados, tem a participação do vocalista de Hélio Bentes, da banda Ponto de Equilíbrio, outra revelação do circuito em que uma das maiores bandeiras é a poesia. Afinal, como diz a letra da faixa-título do álbum, Eu sou guerreiro estou na luta e cheguei aqui, / Eu sou guerreiro e levanto a bandeira do reggae raiz.

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