Até no drama, eu faço rir, comenta o ator belo-horizontino Carlos Nunes. Em dez minutos de conversa com o comediante, já dá para perceber que é impossível ficar inerte a seu bom-humor, o que, talvez, justifique o sucesso, por 15 anos, do espetáculo Como sobreviver em festas e recepções com buffet escasso, em cartaz hoje, às 20h, e amanhã, às 18h, no Pró-Música. A apresentação faz parte da programação do Festival de Gargalhadas, realizado na cidade até o dia 23 de junho. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do teatro, e quem levar uma caixa de leite paga meia entrada. Certa vez, montei ‘O pagador de promessas’, do Dias Gomes, e, no final, a plateia começou a rir. Descobri que não nasci para esse tipo de texto. Cada um de nós tem uma vocação, e a minha é fazer comédia, afirma ele, que foi vencedor do prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro.
Inédita na cidade, a peça apresenta a história de um penetra de festas, onde, nem sempre comida e bebida são suficientes. Quem nunca foi a um casamento em que uma pessoa senta na lateral da igreja para sair rápido, burlar a fila de cumprimentos e chegar à recepção antes de todo mundo? A identificação é imediata, diz ele, justificando o êxito de público. O espetáculo já foi assistido por mais de 700 mil pessoas, sendo seu protagonista apontado pela crítica do jornal Estado de Minas como alguém que alcança plenamente o objetivo de divertir.
Na capital mineira, ele é presença constante nas Campanhas de Popularização do Teatro, contabilizando passagens também por cidades como Rio de Janeiro. Segundo Nunes, quem teve a ideia da montagem é o apresentador Jô Soares, que, ao receber Ângelo Machado, autor de Manual de sobrevivência em recepções e coquetéis com buffet escasso, sugeriu-lhe que levasse o texto para o palco.
Na visão do ator, o diferencial da peça é que ela funciona como uma espécie de autoajuda, já que no final são distribuídos certificados de conclusão de curso aos participantes. Com direção de Ênio Reis, a produção, que também tem no elenco os atores Marcos Kass e Douglas Gonzales, é indicada para público acima de 12 anos.
Na Rede Globo, Nunes já participou de programas como Zorra total, Minha nada mole vida e A diarista. Na Record e no SBT, seu trabalho pôde ser visto nos humorísticos Show do Tom e Ô …coitado!, respectivamente. Eu me realizo mesmo é no teatro. A linguagem da TV é muito diferente. Claro que se a Globo me chamar de novo estou dentro, pois preciso trabalhar. Às vezes, sinto que sou muito exagerado para a televisão. Na verdade, sou ‘over’ até na vida, conclui o ator, satisfeito pela iniciativa de se realizar na cidade um festival direcionado a fazer rir. O projeto é oportuno e necessário, porque hoje é muito difícil fazer teatro e divulgar nossos espetáculos. Dentro de um festival, fica mais fácil fazer público. Todo mundo que for já sabe que vai gargalhar muito.
A garotada também tem vez na programação do festival. Hoje e amanhã, às 16h, o Pró-Música abrigará o espetáculo Ratinho Tatá em histórias de bonecas. A trupe local, comandada por Adryana Ryal, vai levar para o palco a história de Tatá, um ratinho amigo que cuida de duas bonecas e da bailarina da caixinha de música, abandonadas no sótão de uma casa antiga.
Uma grande amizade surge quando o roedor conhece a Fada Lili. Baseada na obra de Rodrigues de Freitas, a peça conta com as atrizes Ana Paula Ozório, Hellen Rodrigues, Márcia Mello, Márcia Rocha e Priscilla Helena.
Hoje, às 20h
RATINHO TATÁ EM HISTÓRIAS DE BONECAS
Hoje, às 16h
Teatro Pró-Música
(Av. Rio Branco 2.329 – Centro)
