
Um dos trabalhos de Helena para a exposição “Entrelinhas”
A juiz-forana Helena Travnik assina a primeira individual, em cartaz na Flux Café
“Meus trabalhos, eu começo experimentando. De repente, surge alguma coisa”, confidencia a jovem artista Helena Travnik, ao explicar como encontrou o primeiro material utilizado na mostra “Entrelinhas”, em cartaz a partir desta sexta na Flux: Negócios, Café, Idiomas, um dos mais novos espaços de arte e café de Juiz de Fora.
“Achei uma raiz no terreno da minha casa, limpei, fiz a impermeabilização dela e comecei a amarrar”, conta Helena, cuja intenção, ao produzir as 16 obras, entre desenhos e fotografias, foi jogar luzes para a conexão existente entre homem, bicho e planta. “Vivemos num mundo em que vários elementos estão interligados. O que o animal está sentindo ou sofrendo certamente vai interferir no nosso meio. Tudo tem de estar em harmonia.”
Com cuidado, a artista faz toda a amarração do galho seco de árvores com linhas de bordado. A matéria-prima precisa estar segura, porém livre dentro desse emaranhado. Em algumas das peças, espelhos foram usados em meio a essa rede que não pode, de maneira alguma, se romper. “Quis que o observador entrasse na conexão dessa linha imaginária.”
Para a primeira individual que assina, Helena traz na bagagem o aprendizado adquirido durante o período em que passou estudando na Academia de Belas Artes, em Viena, Áustria. “Aqui, eu achava que os universitários iam sempre numa mesma onda, e na Academia pude me abrir, fazer o que tinha vontade. Depois, embasados, juntávamos tudo para dar um sentido.” Helena é aluna do curso de Artes e Design e Interiores do CES/JF.
Arte para quem quer ser diferente
Além da abertura da mostra de Helena, a casa abriga hoje mais uma edição do “Cafeína criativa”. O projeto, que reúne músicos e poetas, tem no comando desses versos regados a sons Tadi Martinelli Cotta, Eric Moreira, Renata Dórea, Carolina Barreto, José Augusto Miranda, além de Alex “Xamba” Cotta, músico, professor e proprietário do espaço. Entretanto, “o solo está sempre aberto músicos e poetas”, sintetiza Alex . “A música é quase que incidental, ela acontece para a poesia. Alguns acham que ensaiamos por horas, mas não é. É a forma como a arte acontece”, afirma. Completam o time Karolina Figueiredo, Lara Saque e Aline Siqueira.
De acordo com Alex, “esse espaço diferente para quem procura algo diferente” também dedica outros dois dias do mês à música. Enquanto num deles ocorre a apresentação da banda Índigo, formada por ele, Lucas Guida e Daniel Guimarães, em outro, a atração é um bate-papo musical sobre as vantagens e desvantagens do som analógico e digital. Os lendários vinis e os contemporâneos CDs entram lado a lado para o centro das atenções.
“Este é um local em que mostro para as pessoas o que penso da vida. Quem vem aqui percebe que é possível, dentro dessa nossa sociedade medíocre, viver com mais riqueza. Sempre quis criar uma comunidade de pessoas que não aceitam as normas ultrapassadas e que são estipuladas por canais de televisão”, dispara o músico e professor, que também faz da Flux uma escola de inglês. Ele faz questão de destacar a principal norma da casa: “Aqui não entra internet e nem nunca vai entrar”. Por lá, o café é quem sempre dita as regras do jogo.
MOSTRA ENTRELINHAS E PROTEÍNA CRIATIVA
Nesta sexta, das 18h às 22h. Visitação de segunda a sexta, das 9h às 19h. Sábado, das 9h às 14h, até 16 de julho
Flux Negócios, Café, Idiomas
(Galeria Pio X 2º andar – 127 – Centro)

