A produtora Cravo Verde traz a tragédia grega de ‘Antígona’ para Juiz de Fora, com apresentações no sábado (18) e domingo (19), no Teatro Carlos Paschoal Magno, a partir das 19h. Com um olhar voltado para questões de gênero e identidade, a peça dialoga com a contemporaneidade. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Uniticket.
Originalmente escrita na Grécia Antiga, a tragédia ‘Antígona’ segue a personagem, filha de Édipo-Rei, que perde os dois irmãos em uma batalha. Contudo, a rainha nega a um deles todos os direitos fúnebres, e Antígona está disposta a enfrentar o poder e a própria morte para honrar seu irmão. Sobre a adaptação, o ator Leandro Stephan explica que a história tem uma relação profunda com a teoria queer.
“Antígona foi tomada pela teoria queer para discutir quais corpos importam ou deixam de importar. O espetáculo é exatamente sobre o descaso com uma pessoa após sua morte e a possibilidade de uma pessoa se erguer contra esse sistema. No país que mais mata pessoas transviadas no mundo há 14 anos consecutivos, ainda é vital discutir quais vidas importam”, destaca.
A Cravo Verde realiza montagens que dialogam com uma ideologia “transviada e estética subversiva”. Stephan explica que “nós vivemos dentro de uma ideologia. Dentro de uma ideologia heterossexual, que regulamenta ‘homens’ e ‘mulheres’ e mata corpos trans, não-binários e de sexualidade desviante. Nossa proposta é sempre criticar essa norma e propor outras formas de existência. A subversão vem exatamente do virar a norma heterocentrada de cabeça para baixo.”
O artista complementa explicando que produções como essas são essenciais em Juiz de Fora, que, para ele, possui um teatro ainda muito heterocentrado e absolutamente cisgênero e binário. “Estamos explicitando a falta de respeito para com o corpo do irmão de Antígona a partir de uma lente transmasculina”, diz. “No entanto, isso, de modo algum, ‘inventa’ corpos trans onde eles ‘não existiam’. Em qualquer regime de gênero, há corpos desviantes.”
Antígona e novos passos
A produção para a peça começou ainda em 2025, pois a equipe queria trabalhar com textos que remetessem à Antiguidade Clássica no ano seguinte. Por conta das questões políticas da obra, ‘Antígona’ foi escolhida, com ensaios e montagem que seguiram a atuação de método e uma combinação de uma estética clássica com o mundo em ruínas cubista. A produção, no momento, não pensa em estender as datas, mas gostaria de trazer a peça de volta para a campanha durante o mês de agosto.
A Cravo Verde também lançará, em junho, o evento Solstício: Desordem & Progresso, no Maquinaria, que junta cenas do teatro e do cinema brasileiros, além de músicas brasileiras, para propor que a ordem positivista da história do Brasil é falsa.
Já em agosto, é a vez do musical “Distrito infernal”, baseado no mito de Orfeu e Eurídice e, em outubro, uma montagem de Shakespeare. Em dezembro, estreia o evento Solstício: Escândalo Estético, que debate o que é arte além da estética.
*Estagiária sob a supervisão da editora Gracielle Nocelli

