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Festival Primeiro Plano começa nesta segunda

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O documentário
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O documentário “Ponteiros”, da estreante Miriam Azevedo, é ligado à memória afetiva da cineasta

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Para alguns, nem mesmo a experiência de já ter participado – e vencido – o festival diminui o frio na barriga. É o caso de João Mateus Cunha: ele e Claudia Rangel venceram o prêmio Incentivo Primeiro Plano em 2013 com o curta-metragem “Sopa” e receberam R$ 7 mil para produzirem um novo curta, que será apresentado na abertura do evento com o longa-metragem “O menino no espelho”, de Guilherme Fiúza. Com o título “Em tempo de peste, é proibido escarrar nos gatos”, o filme de João e Claudia conta a história de uma sociedade pós-guerra, dominada pelo Estado, em que uma doença misteriosa se alastra, principalmente, por meio dos gatos domésticos, levando uma pequena vila à beira do caos.Ansiedade e expectativa são as palavras de ordem para alguns dos cineastas que participam da 13ª edição do Festival Primeiro Plano, com início, nesta segunda-feira, no Cinearte Palace, e encerramento no próximo sábado.

Até a cerimônia de encerramento, com a divulgação dos vencedores e o último filme a passar pelo projetores, dezenas de produções serão exibidas durante a semana, contrabalançando a expectativa pela apresentação, o alívio após o final e, óbvio, a nova expectativa pela recepção de público e crítica. João conversou com a Tribuna na última quinta-feira, quando ainda estava no Rio de Janeiro, onde os últimos retoques no filme estavam em andamento. “É uma excelente oportunidade mostrar o seu filme para um grande número de pessoas, que vão só para a estreia”, diz ele. A expectativa era de que ele estivesse com todo o trabalho de finalização concluído ainda na noite de sexta-feira, a tempo de ser enviado para Juiz de Fora. “O roteiro é da Claudia, que o escreveu há três anos. Começamos a conversar em abril e filmamos em agosto, agora estamos na correria para finalizar. A edição foi feita em Juiz de Fora, e a finalização, no Rio, pois, além dos R$ 7 mil, ganhamos um período para trabalhar a pós-produção em um estúdio carioca”, conta o estudante do último período do curso de comunicação social da UFJF. Com a oportunidade de realizar um segundo trabalho audiovisual, ele destaca a importância da premiação para a execução de um trabalho com acabamento ainda mais apurado.

‘A cor do fogo e a cor da cinza’, de André Felix, já recebeu três prêmios

Tempo de estreantes

Um dos diversos nomes que apresentam seu primeiro trabalho no festival, Miriam Azevedo, 23 anos, participa do Primeiro Plano com dois curtas, “Ponteiros” e “Apite” – este com Matheus Engenheiro. Enquanto o segundo trata da memória ferroviária (a linha férrea que vai de Matias Barbosa a Antônio Carlos) e seu esquecimento e abandono, “Ponteiros” também é marcado por uma ligação essencialmente pessoal ao abordar o passado. “A ideia para o documentário surgiu em janeiro, quando meu avô morreu, e me reaproximei da família de meu pai. ‘Ponteiros’ faz uma reflexão sobre tempo e como as vidas se alteram com o passar dos anos. Ao mesmo tempo trata da memória, como ela vive e ajuda na nossa construção. É um documentário com embasamento histórico, que conta como era a vida em grandes fazendas no começo do século passado e possui uma veia poética, que foi a maneira como eu escolhi retratá-lo”, explica Miriam.

A produção foi gravada em junho, editada e montada por Miriam no próprio computador e apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na UFJF em agosto, quando se formou em comunicação social. “Fiquei uma semana com minha avó, mas fui apresentando os equipamentos a ela aos poucos. Não queria mudar a rotina dela e buscava captar isso da maneira mais natural possível. Eu já tinha uma câmera e peguei alguns equipamentos com o meu orientador. Como não havia equipe, eu levei só um tripé, um gravador de áudio e um led.” O resultado foi um curta-metragem de pouco mais de 16 minutos, apresentado também no Festival Itajubense de Cultura e Arte, em Itajubá, cidade natal da jovem cineasta. “Na hora que o filme estava sendo exibido, nem consegui olhar para tela, fiquei acompanhando a reação das pessoas”, conta Miriam, que planeja produzir, agora, um curta de ficção.

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História premiada

Além das fronteiras da região, um dos curtas selecionados para o Primeiro Plano é “A cor do fogo e a cor da cinza”, de André Felix. Filmado no final de 2012, o documentário é centrado na figura do jovem Wagner, que mora em uma comunidade carente de Vitória e passou toda a infância criando para a sua Rede Metror, que nada mais é do que uma série de folhas de papel coloridas com as histórias que ele cria. “Convivi com o Wagner por um ano e meio. O filme é também sobre a experiência dele de estar num set de filmagem, pois foi a primeira vez que ele filmou mesmo, fazendo testes de elenco com atrizes para uma novela que ele havia criado”, relembra André. O curta já recebeu três prêmios em festivais que participou, em Vitória, São Paulo e Porto Alegre. O Festival Primeiro Plano será o nono em que “A cor do fogo…” será exibido.

Para manter e crescer

Integrante da organização do festival, Marília Lima não foge ao questionamento dos seguidos adiamentos da realização do Primeiro Plano em 2014. Segundo ela, questões burocráticas referentes ao patrocínio forçaram as mudanças de data e algumas alterações na programação. “A Mostra Mercocidades era feita sempre às sextas-feiras, apenas com produções nacionais e sem premiação, este ano ela será internacional e competitiva. Sempre tentamos fortalecer o intercâmbio com outros países, como a oficina com roteiristas argentinos e chilenos feita ano passado, que esperamos poder voltar a repetir em 2015”, explica Marília, ressaltando que esse intercâmbio prossegue com a mostra itinerante do festival, que no próximo ano passará pelo Chile com a exibição dos curtas vencedores entre 2002 e 2013.

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Mesmo com os percalços, ela acredita que o evento segue alcançando efeitos positivos. “Há uma formação de público para o cinema brasileiro e de Juiz de Fora – principalmente para os curtas, que é um formato mais experimental. A partir disso, passa a existir um olhar mais crítico, com gente buscando produzir também. A gente viu o aumento dessa produção local, e com mais qualidade. Alguns filmes da Mostra Regional foram selecionados para outros festivais.” FESTIVAL PRIMEIRO PLANO De segunda a sábado Cinearte Palace (Rua Halfeld 581) Programação completa em primeiroplano.art.br/2014/

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