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Silêncio no Calçadão

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Violeiro Antônio Felício Macário morreu aos 71 anos
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Violeiro Antônio Felício Macário morreu aos 71 anos

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*Atualizada às 19h42

A partir de hoje, o Calçadão da Rua Halfeld, com certeza, está mais triste. A uma semana de ser contemplado com a Medalha Nelson Silva pela Câmara Municipal de Juiz de Fora e de completar 71 anos de idade, o violeiro Antônio Felício Macário morreu, enquanto estava de passagem pela cidade de Conselheiro Lafaiete (MG) – município onde o músico também se apresentava em frente à prefeitura . Ele chegou hoje à Policlínica de Lafaiete com fortes dores no peito, vindo a falecer, em seguida, por infarto. O corpo seguiu para Rio Espera (MG), onde será velado na casa de parentes. O sepultamento acontece amanhã, às 10h, no Cemitério Municipal de Rio Espera.

  

De acordo com Maria de Lourdes da Silva Oliveira, 62, vizinha do músico, Antônio Macário já havia reclamado há dois dias que estava se sentindo mal, mas não deu importância ao fato e ainda disse que havia resolvido o problema, ao colocar um comprimido sob a língua. "Eu disse que ele deveria ir ao médico. Em maio, ele tinha operado de próstata e não fez resguardo."

Maria de Lourdes informou que o violeiro não tinha filhos, e a mulher havia falecido há mais de 40 anos durante trabalho de parto em casa. Ela ficou sabendo de sua morte nesta quarta-feira (14), por volta de 14h, quando recebeu uma ligação de um funcionário da Policlínica de Lafaiete. "Me disseram que ele chegou lá com muitas dores no peito e faleceu meia hora depois. Parece que ele guardava remédios de pressão no bolso. Ele sempre dizia que levava o meu telefone na sacola. Acho que foi dessa forma que eles me acharam. Estou com muito medo de ele ser enterrado como indigente."

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Natural de Rio Espera (MG), Antônio Macário ocupava um cômodo da casa de dona Geralda Pereira, moradora da Rua Deputado Arlindo Janine, no Bairro Parque Independência, há cerca de 20 anos. "Não sei como minha mãe vai reagir quando souber da morte dele, porque ele era mais que um pai para ela. Sempre pagava aluguel em alguns barraquinhos, mas preferia ficar num cantinho lá da casa dela, porque dizia que gostava de companhia. Suas sacarias ficavam sempre jogadas num canto. Lembro que ele sempre falava que queria ser enterrado na terra dele, mais ainda não sei como vai ficar, pois a minha mãe havia incluído o nome dele no plano funerário", disse a dona de casa Aparecida Pereira, 52, filha de Geralda.

Antônio Macário trabalhou como pedreiro em uma empresa em Ouro Branco e, em 1972, mudou-se para Juiz de Fora para trabalhar em fazendas. Desde então, começou a compor o cenário da cidade com suas apresentações. Além de viola, tocava sanfona, pandeiro, cavaquinho e bandolim. Sobre referências musicais, sempre destacava

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Tonico & Tinoco, Jacó & Jacozinho. Suas canções preferidas eram "Justiça divina", "Marca da ferradura" e "Cabelo de trança".

Seu nome foi indicado à homenagem da Câmara Municipal pela Funalfa, devido às comemorações da valorização da raça negra. "Ele era um importante representante da cultura popular espontânea da cidade. O violeiro Fabrício Conde já tinha feito um trabalho de memória com ele. Ao indicá-lo, meu objetivo era sair do discurso da valorização da cultura popular e partir para a prática. É uma grande perda", declarou Toninho Dutra, superintendente da Funalfa.

 

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