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Só mesmo em Juiz de Fora

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A cidade vista por um pode não ser a mesma observada por outro. Mesmo com diferenças, as referências são lembradas e compartilhadas como traços em comum por quem mora ou já morou por aqui. Torresmo do Bigode, pastel da Mexicana, cigarrete, coxinha da Pipita, guaraná Americana, pipoca com queijinho, além das típicas galerias e o Campus da UFJF, o Calçadão da Halfeld, entre outros pontos turísticos, foram algumas das características citadas pelos juiz-foranos como únicas da cidade em entrevistas à Tribuna.

Morando em São Paulo, a analista de mídias sociais Ana Cláudia Roriz afirma que só em Juiz de Fora encontra a pipoca com queijinho. "Ninguém conhece em São Paulo, uma pena. Outro quitute que não deixo de comer quando vou a Juiz de Fora é o cigarrete. Em São Paulo, os moradores desconhecem completamente e até estranham o fato de um salgado chamar cigarrete." A tradicional pipoca também está na memória da artista plástica Renata Vieira Lopes. "É um dos cheiros que mais me lembram Juiz de Fora."

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Conforme o professor da Universidade Estadual de Minas Gerais e doutorando em antropologia social pelo Museu Nacional, no Rio, Sami Sanchez Júnior, os símbolos que se atribuem a uma cidade são importantes para a construção de sentidos para as nossas vidas. "Eles são religiosos, de escolas ou cursos universitários, as bandeiras dos times de futebol. Todos imprimem a ideia de pertencimento, isto é, de reconhecer que fazemos parte de um grupo, construindo assim uma identidade social."

Para o professor Carlos Stopato, um símbolo único de Juiz de Fora são os quitutes da Fábrica de Doces Brasil. "Nunca vi em outro lugar. Desde pequeno, minha mãe me levava lá no final da Rua Mister Moore para comer salgadinhos e docinhos de festa, quando não era festa, e tomar guaraná." Fugindo dos sabores e lugares, para o diretor de arte e ilustrador Heisler Mulano e para a assessora de comunicação Gihana Fava, o clima de Juiz de Fora é algo que só se vê por aqui. "De manhã, está chovendo, na hora do almoço, faz o maior calor e, à noite, você precisa de um casaco. Deixa a gente maluco, mas, de certa forma, agrada todos os gostos em um só dia", destaca Gihana.

 

Com o objetivo de buscar a identidade do juiz-forano e listar coisas que só mesmo por aqui se encontra, o diretor teatral Gueminho Bernardes criou, no ano passado, em parceria com Gustavo Mendes e Cézane Mostaro, uma lista, que fez sucesso na internet, elencando 365 coisas para se fazer em Juiz de Fora. O Calçadão da Halfeld é considerado por ele item único e singular, que "representa simbólica e concretamente a dinâmica da cidade". "As referências que temos são traços que compõem o mosaico que é a alma da cidade. O que percebo é que, ultimamente, esse mosaico está se fragmentando e dissolvendo de um jeito que Juiz de Fora corre o risco de perder a sua identidade mais profunda e importante", lamenta.

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Professor do curso de turismo da UFJF, Euler de Siqueira aponta a mídia como fator importante para definições a respeito de uma localidade. "Eu diria que os meios de comunicação são papel-chave na constituição desse imaginário da cidade; há lugares desejados, sonhados, odiados. Os telejornais, assim como as novelas, reinterpretam e divulgam, às vezes de forma pouco refletida, estereótipos e preconceitos sobre uma localidade. Medo, ansiedade, expectativas são tantos outros sentimentos e emoções que a mídia ajuda a reproduzir."

Pensando em manter vivas as referências de Juiz de Fora, um grupo de amigos criou o blog e a página no Facebook "JF no divã". "Precisamos dar valor ao que, como sociedade, somos capazes de produzir. Nossa história é muito bonita. Essa herança pode ser utilizada nos pequenos e grandes feitos", pontua uma das integrantes da equipe do site, Lucimar Brasil.

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