
O cantor mineiro Ciro Belluci lançou na última sexta-feira (10), pelo selo Sensorial Discos, “Recanto”, seu primeiro álbum de estúdio. Com produção e direção musical do próprio Ciro, direção artística de Paulo Paulelli e realizado por meio da Lei Aldir Blanc, o trabalho traz releituras de 11 faixas conhecidas do canceioneiro nacional, compostas por nomes como Chico Buarque, Toninho Horta, Paulo César Pinheiro, Guinga, Rita Lee, Gilberto Gil e João Bosco, entre outros, e também uma faixa inédita, “Passageira”, de Pablo Bertola e Lido Loschi. O trabalho foi quase todo gravado no estúdio da Bituca Universidade de Música Popular, em Barbacena, além do estúdio Arsis, em São Paulo, e no Usina Estúdio, em Belo Horizonte.
A ideia do projeto surgiu do repertório de seus shows, e, quando apareceu a oportunidade, por meio da Lei Aldir Blanc, de gravar o álbum, decidiu montar um trabalho com músicas que marcaram sua trajetória de alguma forma. O complicado foi condensar em apenas 11 músicas todas essas referências.
“Foi uma escolha difícil, porque os motes são muito abrangentes: pensar em coisas que me marcaram, autores que eu gosto; isso leva para lugares muito grandes, e precisei combinar algumas peneiras”, explica. “O primeiro pensamento foi o de selecionar coisas que acreditava serem importantes ter no CD, como tal compositor, tal música, ou uma música em determinado clima. A segunda peneira foi com o grupo que está tocando comigo (Pitágoras Silveira no piano, Gladston Vieira na bateria e Matheus Duque no sax), de pensar o que funcionaria com eles a partir da linguagem que eu queria. Essas foram as peneiras principais, as referências que eu queria que existissem, e dentro da estética que estava trabalhando.”
Para “Recanto”, Ciro Belluci não fez apenas regravações, mas também pensou, ao lado de Pitágoras Silveira, em novos arranjos, o que é um desafio se pensarmos que se tratam de canções, em sua imensa maioria, consagradas. Mas ele decidiu ir lá e fazer.
“Querendo ou não, a comparação é inevitável. Gravei coisas que a Elis Regina já gravou e que são icônicas, coisas muito importantes para a música brasileira. Mas, para mim, isso não foi um problema, um peso, pois é óbvio que ia esbarrar nesse lugar ao escolher fazer um repertório de releituras”, reconhece. “E não tenho a pretensão de ser melhor ou de ter a gravação mais legal, porque o meu intuito não é me preocupar com essa gravação, e sim a forma como enxergo essas canções.”
Havia outra questão a ser levada em consideração que era fazer todas essas reinterpretações terem uma coesão, soar como um álbum, e não como algo esparso. “Durante muito tempo do processo não tinha certeza, porque ainda estava procurando qual seria a liga da coisa toda, mas quando o Paulo Paulelli começou a trabalhar comigo, me dar alguns toques, foi bem importante”, diz, acrescentando que a identidade dos arranjos, em suma, é que conferem a “Recanto” sua identidade. “A voz guiar o CD é um fio forte, mas óbvio. Os arranjos foram todos construídos por mim e pelo Pitágoras, com quem toco há algum tempo, e trabalhamos muito bem juntos. A minha soma com ele cria uma linguagem que é a chave para encontrarmos a razão dessas músicas estarem juntas.”

