O Cinema Alameda reabre nesta quinta-feira (14) como um espaço multicultural e reformado pensando em atrair novos públicos. O local passa a ser Estação das Artes e conta com iniciativa do Instituto Albert Sabin e Instituto Cidades Culturais. O intuito é equilibrar um circuito de exibição comercial com uma agenda independente e de formação do público. Para dar continuidade ao projeto, a organização já revelou que, além de ter investido em tecnologia e em conforto para os espectadores, também passa a oferecer um café para a área do cinema e a promover “sessões nostalgia” com filmes que já estiveram em cartaz.
O projeto funciona no mesmo local das antigas salas de cinema, mas passou por uma reforma antes das atividades começarem: as duas salas (sendo uma com 220 lugares e outra com 150 lugares) receberam novas poltronas e equipamentos modernos de projeção de laser. Essa necessidade foi observada pela equipe, como explica o coordenador do Cinema Alameda – Estação das Artes, Paulo Monttero, quando o lugar começou a ser reelaborado.
“Nossa intenção, desde o começo, era articular pessoas interessadas em investir recursos nesse projeto para renovar esse espaço. Percebemos que ele poderia ser, além de cinema, local para teatro, galeria de arte e lançamento de livros. Vai ter uma diversidade cultural para que possa atender a diferentes áreas da cultura na cidade”, explica
O Cinema Alameda também contará com um foyer, que será uma área multifuncional e que pode receber eventos, lançamentos e galerias de arte, podendo também ser reconfigurado. A prioridade, como ele explica, foi que o espaço fosse acolhedor e servisse como um ponto de encontros. “Ali, a pessoa vai descobrir a programação da semana e vai participar ativamente dessa programação”, diz. Já o café está sendo pensado para a segunda fase do projeto, quando o objetivo será “continuar a vivência fora dos horários de sessão”.
A programação com mostras paralelas e as “Sessões Nostalgia” também aparece nesse momento, mas as “Terças do Cinema” já começam na próxima semana. A programação foi pensada com curadoria conjunta da Funalfa, do Polo JF Cine e da Secretaria de Educação, o que ele também enxerga como um diferencial do espaço: o foco em atender às lacunas na distribuição audiovisual da cidade e trazer uma diversidade de olhares para o público.
Demanda da população
Esse projeto foi descrito por Paulo como o “primeiro” Estação das Artes. Ele conta que a iniciativa foi toda pensada para acontecer no Alameda, justamente pelo resgate da história do cinema no local e por ser uma demanda frequente da população. “Temos outros projetos em andamento e devemos divulgar em breve, mas esse sempre foi o ponto principal pra gente. Também é uma boa localização pra cidade.”
Para o futuro do projeto, ele adianta que espera que o lugar contribua com o fomento a arte. “Queremos fazer parte dessa história como um espaço que viabiliza cultura. É uma cidade que tem poucos espaços culturais e muitos artistas buscam oportunidades para o seu trabalho. Queremos que esse lugar seja uma referência em cultural”, diz.
Uma experiência coletiva
Em um mundo de fácil acesso ao streaming e às telas individuais, Paulo enxerga que a experiência de ir ao cinema pode ser reforçada como uma alternativa que gera outro tipo de vivência para o público. “A importância de existir sala de exibição é dar opção de entretenimento fora de casa para as pessoas, para que elas possam fazer dessa arte a arte do encontro”, diz. Ele também reforça que, em projetos como o Cine Escola, em que os alunos da rede vão ser levados para assistir filmes no cinema, também será feita a formação audiovisual da população.

