
Com “Areal dos ventos”, a Cia. da Ribalta saiu do Nepopó Festival, de São João Nepomuceno, com três prêmios
Cinco mulheres e dois homens: Ciça Liberdade, Raíssa Garcia, Natália Romualdo, Gisele Barbosa, Mariana Lopes, Léo Caetano Visoná e Samuel Almeida. É com essa formação que a Cia. da Ribalta vai para a cena em “Areal dos ventos”. Dirigida por Tiago Fontoura, que também assina o texto, a peça já é conhecida de um público vizinho, o de São João Nepomuceno, de onde saiu do Nepopó Festival com os prêmios de melhor cenário e maquiagem e melhor atriz de drama para Ciça; foi apresentada para um grupo fechado em Juiz de Fora, no ano passado, e agora, sim, se abre ao grande público da cidade. Em uma curta temporada – dias 15, 16 e 17 de abril -, o espetáculo leva para o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas uma história voltada, principalmente, para a mulher.
“Nossa companhia é formada em grande parte por mulheres. Sempre trabalhei muito mais com atrizes que com atores, e isso acabou chegando na dramaturgia. As meninas da companhia me ajudaram muito, e muito do que falamos vem delas, do que elas sentem. Posso dizer que é um texto feminista”, comenta Tiago, apontando para a atualidade da trama. “De forma subjetiva, falamos de situações da vida feminina, que não são ditas, mas que estão em voga no momento. A questão do corpo, da sexualidade, da crença, da liberdade. Trazemos isso nas ações dramáticas e nas falas das personagens. Os meninos da peça são os coadjuvantes. Coadjuvantes das ações e das intenções do coro das mulheres.”
No trabalho, classificado pelo diretor de “fábula onírica”, um vilarejo é habitado por cinco mulheres e um rapaz, e a chegada do escritor Adamo vai provocar grandes conflitos. Tiago conta que uma antiga lenda existente nessa localidade e que insiste em rodear o pensamento dos personagens – “As areias vão enterrar nossos segredos…” – garante um ar de suspense à montagem. “O lugar está sendo consumido pelas areias, e as mulheres carregam segredos, medos e angústias. Esse homem que chega também possui segredos, dores do passado que deseja esconder, mas que estão ligados indiretamente àquele lugar e àquelas mulheres.”
De acordo com o diretor, a ele coube dar a “A areal dos ventos” uma dramaturgia única, mas as histórias foram elaboradas por cada ator. “Eu apenas as compilei e convidei Fafah Ramus para fazer um trabalho de desenvolvimento de corpo, respiração e movimento com o elenco. Ao longo de um ano e meio, fizemos diversas oficinas e imersões”, diz o diretor, que assumiu a dianteira da trupe em 2013. A composição atual do grupo foi formada em uma oficina de iniciação teatral ministrada por Tiago em 2012. A Cia. da Ribalta foi criada em 2009 pelos diretores Alexandre Gutierrez, Anderson Ferigate e Valdir Alves e pelo ator Mário Galvanni.
AREAL DOS VENTOS
15 e 16 de abril, às 20h30, e 17 de abril, às 19h30
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200 Centro). 3690-7052

