
Petrillo integra o Dez ao Cubo desde o seu início
Luiz Gonzaga é o artista juiz-forano convidado para a exposição comemorativa
Para a geometria, não tem muito mistério: o cubo é um dos sete modelos de hexaedros (objetos com seis faces) existentes e integra o grupo de cinco sólidos platônicos, em que todas as faces são polígonos congruentes. É considerado um sólido geométrico pelo fato de sua superfície ser composta por um número finito de faces, incluindo ainda oito vértices e 12 arestas. Sua história poderia terminar por aí, no campo dos cálculos matemáticos, mas a arte é conhecida por distorcer, reinterpretar e reconstruir tudo aquilo que parece ter construção apenas no campo das coisas reais e lógicas. Este é o caso do grupo Dez ao Cubo, composto por dez artistas e que celebra seus dois anos de atividades com a exposição “Dez ao Cubo, dois anos”, em cartaz na Hiato Galeria de Arte até o próximo dia 24. Além dos membros fixos da iniciativa, outros dez nomes foram convidados para criarem e exporem suas obras, não necessariamente inseridas no contexto geométrico.
Dos 20 nomes que participam da mostra, dois são de Juiz de Fora: Petrillo, que é integrante do grupo, e Luiz Gonzaga como convidado. Os demais membros do Dez ao Cubo são Arvellos, Maria Cherman, Abigail Nunes, Fernando Borges, Vilmar Madruga, Roberto Tavares, Paulo Mendes Faria, Osvaldo Carvalho e Luiz Carlos de Carvalho. Além de Luiz Gonzaga, a lista de convidados inclui Sergio Torres, Norma Mieko Okamura, Julio Castro, Gian Shimada, Fuad Hajjat, Felipe Barbosa, Denise Campinho e Alexandre Dacosta.
Segundo Petrillo, o Dez ao Cubo surgiu em 2014 após uma discussão que poderia ser incluída em outro mundo, o do surrealismo. “Um dos integrantes do grupo postou uma foto de um trabalho seu e foi interpelado por outra artista, que o denunciou por plágio argumentando que ela era a criadora da forma geométrica do cubo. Até houve uma discussão sobre essa situação absurda, e daí resolveu-se criar o grupo com a finalidade de realizar uma exposição em homenagem ao cubo”, conta. “Foi esse mesmo artista que me convidou ao nos encontrarmos em um evento no Rio. Tudo isso resultou na possibilidade de criação a partir de uma forma geométrica de conhecimento público.”
Com dez membros topando a empreitada, a primeira exposição foi realizada ainda no mesmo ano em Juiz de Fora. Desde então foram realizadas mais seis exposições, contando a atual, no Rio de Janeiro (duas vezes), Petrópolis, Porto Alegre e em Paris, na França, inicialmente tendo o cubo como inspiração. A maioria das mostras contou com a participação de artistas convidados. Atualmente, explica Petrillo, o cubo é visto mais como uma marca do que como uma obrigação dentro dos trabalhos. “Mas ele sempre está lá, de forma implícita”, analisa.
Entre convidados e integrantes fixos, a mostra comemorativa apresenta trabalhos dos mais diversos, entre pinturas, instalações e esculturas, mostrando diversas interpretações a partir do “hexaedro da discórdia”. No caso de Petrillo, em particular, o artista encontrou um novo desafio. “Eu não trabalhava muito com geometria, era mais trabalhar com a linha dentro do espaço, com faixas horizontais, e agora eu trouxe a linha para dentro do cubo. Isso afetou meu trabalho, pois quando você olha para uma figura passa a ter uma nova percepção”, diz. “O cubo não era algo que me chamava a atenção, mas hoje o percebo de forma diferente, e passei a ver, inclusive, que muitos artistas trabalhavam com essa questão. São novas possibilidades que passam a ser exploradas”, acrescenta Petrillo, lembrando que uma nova exposição está sendo negociada para o segundo semestre, provavelmente no Estado do Espírito Santo, em que novas possibilidades para o sólido geométrico podem ampliar, mais uma vez, os limites geralmente impostos por faces, vértices e arestas.
DEZ AO CUBO, DOIS ANOS
Segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h, e sábados das 9h às 13h
Hiato Galeria de Arte
(Rua Coronel Barros 38 –
São Mateus)

