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Banda Daki mantém a tradição e reúne milhares de foliões nas ruas de Juiz de Fora

Banda Daki mantém a tradição e reúne milhares de foliões nas ruas de Juiz de Fora

(Foto: Leonardo Costa)

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Um dos blocos mais tradicionais de Juiz de Fora, a Banda Daki, tomou as ruas do Centro de Juiz de Fora neste sábado (14), abrindo oficialmente o final de semana de carnaval da cidade. O evento, que é patrimônio imaterial da cidade, reuniu milhares de foliões que se reuniram no Largo São Roque e partiram em direção ao Parque Halfeld.

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O relógio marcava pontualmente 13h deste quando o primeiro acorde das marchinhas rompeu o ar quente do Centro. A festa, na verdade, já havia começado antes, às 10h30, com o início da concentração. A Banda Daki, instituição máxima da folia local, desfila no carnaval juiz-forano desde 1972.

O legado se veste de folia

O desfile tradicional bloco também carrega uma responsabilidade: o legado deixado pelo saudoso Zé Kodak, o eterno general da banda – falecido em 2021. Hoje, quem também conduz a festa e a tradição é seu sobrinho, Gustavo Passo.

Com a humildade de quem reconhece a magnitude do mestre, Gustavo admite que o papel de carnavalesco é uma construção diária em memória do tio. “A gente não consegue falar do carnaval de Juiz de Fora sem falar no Zé Kodak. Ele vivia para a Banda Daki; trabalhava 364 dias para esse único dia”, lembra emocionado.

Gustavo, que diz nunca ter sido foi muito de carnaval, se torna, a cada ano, mais carnavalesco. “Eu nunca fui carnavalesco, estou tentando me tornar para manter o legado que ele deixou pra gente, porque a gente não consegue falar do carnaval de Juiz de Fora sem falar no Zé Kodak.”

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A sucessão familiar garante que a “menina dos olhos” de Zé continue brilhando. Esse ano, como manda a tradição, a Banda Daki, personificada na pessoa do Gustavo, recebeu, das mãos do diretor-geral da Funalfa, Rogério de Freitas, a chave da cidade que marca o início oficial do carnaval no município.

O bloco contou com o apoio institucional da Funalfa, da Prefeitura de Juiz de Fora e patrocínios da Cemig e do Governo do Estado, que deram a estrutura necessária para que a tradição fosse celebrada.

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‘Todas as tribos’

Entre os três trios elétricos, o carro pipa garantiu o refresco dos foliões, e o carro de onde desfilaram reis, rainhas, musos e musas, a Banda Daki se revelou, mais uma vez, como um espaço democrático para todas as “tribos”, como conta o arquiteto Jean Martins, que preparou a fantasia por mais de um mês, feita especialmente para o desfile.

“É feita especialmente para desfilar aqui na banda. É mais um cosplay do que uma fantasia e não tem lugar melhor para usar do que aqui, na Banda Daki. A minha referência do carnaval, desde criança, é a banda. É um carnaval tradicional, o mais importante da minha cidade. É onde se encontram todas as tribos, é uma alegria.”

Para Jean, o carnaval é alegria, satisfação, é o momento em que os foliões conseguem se libertar dos problemas e serem felizes. “O carnaval é para gente dar uma aliviada, pegar um fôlego e começar de novo. Você não vê ninguém triste no carnaval, tá todo mundo feliz e eu acho que isso é só o Brasil que pode oferecer”, conta.

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Esse sentimento também é compartilhado pelo restaurador de antiguidades Roberto Mattos, que, há 31 anos, desfila encarnando um famoso personagem do cinema: Mr. Bean. Com o paletó e a gravata impecáveis, mesmo apesar do calor, Roberto resume a ausência do general: “É uma doce saudade”. Ele, que há 31 anos se transforma no personagem, conta que a fantasia surgiu justamente por uma brincadeira feita no bloco. “A ideia do Mr. Bean surgiu pelo fato de eu parecer com o personagem. Eles me deram o paletó, eu já tinha a camisa e a gravata… estou até hoje aqui.”

É como esses e tantos outros foliões disseram durante a folia: Zé Kodak está guardado no coração de todo o juiz-forano.

Confira os registros da Tribuna:

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Entrega da chave da cidade marca início do carnaval na cidade (Foto: Leonardo Costa)

Confira a programação do Carnaval neste final de semana

Ainda neste sábado (14), às 16h Juiz de Fora terá quatro blocos acontecendo ao mesmo tempo: Bloco Bom Gosto (Rua Alfredo Ferreira Pinto – Jardim de Alá), Bloco É Huma e Tá (Rua Prudente de Oliveira Sobrinho – Humaitá), Aolgolo (Rua Belo Horizonte – São Mateus) e Bloco Grajamaica, na Praça do Grajaú.

Para finalizar o dia, o Bafo da Onça acontece às 17h na Rua Francisco Falci, no Grajaú.

Com mais de 12h de festa, o dia de domingo (15) tem a programação espalhada por Juiz de Fora. Iniciando às 12h, o Ninho do Urubu acontece na Rua Duarte de Abreu, no Mariano Procópio. Em seguida, quem assume o festejo é o Bloco Lixarte, no Bairro Olavo Costa, Rua da Esperança.

Às 14h, o Bloco da Garizada assume o Circuito Zé Kodak, com concentração no Parque Halfeld e cortejo até a Praça da Estação. Em seguida, os blocos Gama Folia (Rua Padre Acácio Duarte – Jardim Esperança) e Unidos da Zona Sul (Rua Luiz Basílio Castor – Santa Luzia) começam às 15h.

Seguindo para o final do dia, três blocos acontecem no horário das 16h: Debochadas da Vila, na Rua Altivo Halfeld (Vila Ideal), Bloco É Huma e Tá e Resenha do Luan (Rua Cruzador Bahia, Dom Bosco).

No Bairro Floresta, às 17h, acontece o Unidos do Bairro Floresta, na Rua Alameda Mundo Novo. E às 17h30, o Unidos do Ripi Rapi, na Praça do Bairro Ipiranga. Encerrando o final de semana, às 18h30, o Circuito Júlio Guedes recebe o Afoxé Filhos de Oyá, com concentração no Viaduto Roza Cabinda e cortejo até a Praça da Estação.

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