Com 15 instituições registradas no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Juiz de Fora é a segunda cidade mineira com maior número de museus, ficando atrás de Belo Horizonte, mas superando cidades históricas, como Ouro Preto. Os dados são parte de uma pesquisa realizada pelo órgão federal, que, pela primeira vez, promoveu um levantamento aprofundado dos espaços culturais brasileiros. Apesar da quantidade de espaços em funcionamento, a cidade vivencia deficiências comuns no interior do país, com a escassez de museus funcionando aos finais de semana. Quando começamos a pesquisa, em 2003, havia um conjunto de publicações desatualizadas e com informações muito básicas. Saímos do achismo para uma localização concreta, avalia a coordenadora geral de sistemas de informações do Ibram, Rose Miranda.
Em Juiz de Fora, entre as instituições cadastradas no Ibram, apenas o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) abre aos sábados e domingos. A pesquisa considerou apenas museus propriamente ditos, excluindo espaços de outra natureza a exemplo das galerias como o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (que funciona aos finais de semana) e o Espaço Cultural Correios (que abre aos sábados até as 14h).
A coordenadora geral de sistemas de informações do Ibram, Rose Miranda, ressalta que a mesma escassez ocorre em relação aos horários noturnos, um fato que prejudica o acesso da população economicamente ativa, que trabalha durante o horário convencional dos museus. A coordenadora do Ibram ressalta, entretanto, que a análise deve levar em consideração a localização das instituições. Os centros de muitas cidades não têm essa lógica de passagem de usuários em potencial e acabam fechando mais cedo por questões de segurança, explica, incluindo Belo Horizonte.
Com 74,2% das entidades nas mão do poder público, o acesso gratuito é uma realidade dos museus brasileiros. Apenas 25% das entidades cobram algum tipo de ingresso, sendo que o valor da entrada raramente supera os R$ 5. Em Juiz de Fora, todos os museus são gratuitos.
Entidade mais antiga do gênero em Minas, o Museu Mariano Procópio está entre as 17 instituições fechadas no estado, segundo a pesquisa do Ibram. O número não se refere a espaços extintos, mas àqueles que suspenderam a visitação pública temporariamente, mantendo atividades administrativas e de conservação. Segundo Rose Miranda, a justificativa mais recorrente entre os casos registrados é a necessidade de reestruturação nas edificações históricas que esses museus ocupam, caso do Mariano Procópio. Em seguida, a reformulação de exposições permanentes surge como explicação para a falta temporária de visitação.
Entre as características atípicas detectadas pelo levantamento do Ibram em Minas está a descentralização dos museus por diferentes regiões do estado. Ao contrário de outras unidades da federação, os museus não estão concentrados na capital. Apenas 20% das instituições localizam-se em Belo Horizonte, um percentual pequeno em comparação ao restante do país, que apresenta concentração de quase 50% nas capitais, em média. A hipótese de Rose Miranda para esse dado está no histórico de criação de BH, que é muito posterior ao restante da história de Minas.
Mais da metade dos museus da cidade são da UFJF
Dos 15 museus reconhecidos pelo Ibram em Juiz de Fora, oito estão sob administração da Universidade Federal de Juiz de Fora. A lista inclui o Museu Usina de Marmelos, que, apesar de pertencer à esfera estadual, está sob tutela da instituição. O pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, pondera que o número do Ibram faz referência a coleções de diversos setores da universidade, sendo que a maioria não se encontra regimentada como museu propriamente dito, apesar de ser constituída por peças importantes. É o caso dos acervos do Museu de Malacologia e do Herbário da UFJF, ambos vinculados ao Instituto de Ciências Biológicas (ICB).
Na situação oposta, estão o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) e o Museu de Ciências da UFJF, que contam com plano museográfico – conforme determina o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – e aprovação de regimento, que atribui objetivos, diretrizes e ligação com a comunidade. Pinho Neves, entretanto, aponta a necessidade de uma política de museu para a UFJF que contemple todas as coleções e estabeleça planos de ação. A universidade tem um potencial grande e diversificado, reconhece o pró-reitor.
Além de entidades federais, sob gestão da UFJF, Juiz de Fora conta com três instituições particulares (Museu do Grambery, Museu de História Natural do CES, Museu da Odontologia – ABO), uma de origem estadual (Museu do Crédito Real) e duas sob responsabilidade do município, Museu Mariano Procópio e Museu Ferroviário. Incluído no projeto de revitalização da Praça da Estação, a entidade que conta a história das ferrovias poderá receber novas instalações, sendo transferida para o edifício da Central do Brasil. A assessoria da Secretaria de Administração e Recursos Humanos do município, entretanto, observa que a ideia poderá sofrer modificações, uma vez que ainda está sendo analisada pelos órgãos de patrimônio municipal e estadual.
