
Muito melhor que ser afogado por notícias, é nadar sobre elas, com o auxílio de um barco que navega entre as informações e mergulha nas águas cristalinas das páginas dos jornais. A viagem pode ser a lugares que nem a vista alcança, mas parece conhecer. O palhaço Senhor M, personagem do artista Marcos Marinho, prepara-se para navegar sobre essas águas profundas, ainda que no terreno plano e lúdico do jardim do Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) – caminhos que a ficção permite aprofundar. Neste fim de semana, no sábado (15) e no domingo (16), ele encara uma nova jornada, a partir das 17h. As duas sessões têm vagas limitadas a 30 pessoas, e precisam ser confirmadas pelo número de telefone 99115-0018.
“Senhor M em ‘A jornada'” reúne duas cenas independentes de Marinho: “Jornal de domingo” e “Passeio de barco”. Ele explica que, juntas, elas ganham um outro sentido. Mas, em aspectos gerais, o espetáculo trata das “notícias que vão saindo do jornal e levando o Senhor M para uma viagem de barco”. Ele foi dirigido por Ricardo Martins, que também dirigiu e escreveu outra peça do palhaço, “Meu dia perfeito”, em que “Jornal de domingo” apareceu pela primeira vez.
Essa será a primeira apresentação de Marinho aberta ao público desde março de 2020. Nesse tempo, o que o salvou do tédio foi a arte. Para ele, o tipo de palhaço que o interessa é aquele que tem uma função social: “a cura através das emoções, não só do riso”. “Acredito nos estudos que já foram feitos sobre a potência do riso, especialmente nos momentos de dor e dificuldades. Estamos passando por isso. A arte está mais que necessária neste momento”, ele completa.
Voltar à atividade no MAMM dá um sentido a mais ao retorno. Isso porque Marinho acredita que a arte deve ser interdisciplinar: assim como é o museu, com nome de poeta, que abriga as artes plásticas e os espetáculos. “Estou em casa”, finaliza.

