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Com o espírito de 1976

rocky balboa encara a missao de preparar o filho de seu maior rival longa de ryan coogler esta entre os favoritos ao oscar

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Rocky Balboa encara a missão de preparar o filho de seu maior rival; longa de Ryan Coogler está entre os favoritos ao Oscar
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Rocky Balboa encara a missão de preparar o filho de seu maior rival; longa de Ryan Coogler está entre os favoritos ao Oscar

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Os Estados Unidos costumam amar seus filhos de forma peculiar, principalmente se forem os sujeitos que vêm de baixo e que – apesar das expectativas em contrário – deixam de ser os losers (perdedores), os underdorgs (os azarões), para superar todos os desafios, as adversidades, para mostrar que é possível, sim, vencer na vida. O cinema de Hollywood costuma trabalhar de forma competente as histórias de quem é gente como a gente, e um desses exemplos é “Rocky: Um lutador”, de 1976, em que Sylvester Stallone emprestava seus músculos, expressões faciais praticamente inexistentes, carisma e carisma para a interpretação de Rocky Balboa, um lutador de pouca expressão e inteligência que, um dia, é escalado para enfrentar o campeão mundial dos pesados, Apollo Creed. É com uma premissa parecida com essa que a franquia “Rocky” volta aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia de estreia de “Creed: Nascido para lutar”, sétimo filme da série.

Dirigido por Ryan Coogler – já contratado para dirigir “Pantera Negra”, da Marvel, “Creed: Nascido para lutar” é um misto de continuação dos seis longas da série, ao mesmo tempo que resgata diversos elementos do original de 1976. O personagem principal sequer é o famoso Garanhão Italiano, agora aposentado e dono de um restaurante na cidade de Filadélfia: o protagonismo é de Adonis Johnson (Michael B. Jordan, do mais recente “Quarteto Fantástico” e que trabalhou com Coogler no independente “Fruitvale Station”), fruto de uma relação extraconjugal de Apollo Creed pouco antes de sua luta com Ivan Drago em “Rock IV”. Ele passou os primeiros anos de sua vida entre orfanatos, reformatórios e famílias adotivas, e por isso mesmo carrega mágoas e raivas enormes em seu coração. Porém, assim como em outras histórias já vistas por aí, o passado é o que molda o presente e o futuro de Adonis, e por isso mesmo ele abandona a Califórnia para – assim como o pai – enveredar na dura e ingrata carreira de boxeador.

O lugar escolhido é a Filadélfia, lar de um certo Rocky Balboa, que vivia a sua vidinha pacata como dono de restaurante e carregando no coração a perda da esposa. O Garanhão Italiano é procurado pelo filho de seu maior rival e amigo para treiná-lo, pois, assim como Rocky, ele tem a oportunidade de enfrentar o o campeão interpretado por Tony Bellew. Neste ponto, as semelhanças e diferenças se acentuam em relação a “Rocky: Um lutador”: Adonis é escolhido para enfrentar o campeão da mesma forma que o maior adversário de seu pai e precisa lidar com a desconfiança de que ele seja uma fraude que vive à sombra do passado de Apollo Creed. Ao mesmo tempo, ele precisa lidar com a necessidade de se autoafirmar como lutador e de ser acolhido pela comunidade negra da Filadélfia – uma inversão de posicionamento em relação a Balboa, que era o sujeito da classe trabalhadora branca da cidade. O ex-campeão, por sua vez, passa a ser a voz da sabedoria, o mentor e pai que o jovem pupilo nunca teve, assumindo a função que seu falecido treinador, Mickey Goldmill, tinha.

Momentos clássicos do filme original, como a perseguição às galinhas e subida da escadaria, estão lá. Ao mesmo tempo, “Creed: Nascido para lutar” também direciona seus holofotes para outros dramas pessoais. Rocky precisa lidar com a decadência de seu corpo e de sua saúde, enquanto que a namorada de Adonis, Bianca (Tessa Thompson) é uma talentosa e promissora cantora que sofre com a perda gradativa da audição.

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De olho no Oscar

O filme dirigido por Ryan Coogler tem recebido elogios variados da crítica desde sua estreia nos Estados Unidos, em novembro, por dar atenção a planos-detalhe, planos-sequência e encenar lutas de boxe de impressionante verossimilhança. O resultado tem sido uma série de premiações, incluindo o Globo de Ouro de ator coadjuvante para Sylvester Stallone. A produção está entre as mais cotadas para as principais indicações do Oscar, e Sly já é considerado o grande favorito para levar a estatueta.

Outro grande mérito do diretor americano – e talvez o mais importante – é devolver à franquia “Rocky” o respeito que ela tinha quando foi lançada, em 1976, com direito ao Oscar de melhor diretor e filme na edição de 1977, batendo produções como “Taxi driver” e “Todos os homens do presidente”. Se o segundo filme ainda manteve a qualidade do original, as demais produções nunca se aproximaram do padrão de qualidade do primeiro longa, incluindo aí o constrangimento da Guerra Fria sendo resolvida na base de ganchos, jabs e uppercuts de “Rocky IV”. Ao entender que “Rocky” é muito mais um filme de superação do que mera troca de socos e propaganda oficiosa da superioridade americana sobre o mundo, Ryan Coogler oferece à franquia uma chance de se reinventar e fôlego suficiente para outras continuações.

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CREED: NASCIDO

PARA LUTAR

UCI 1 (dub): 16h30 (exceto sábado e domingo). UCI 1: 22h35. Cinemais 1 (dub): 14h e 19h20. Cinemais 1: 16h40 e 22h

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Classificação: 12 anos

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