A escritora dos “livros cor-de-rosa” está de volta. Com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, a autora juvenil Paula Pimenta acaba de lançar “A música da minha vida”, nova série do mesmo universo de sucessos como “Fazendo meu filme” e “Minha vida fora de série”, que seguem conquistando leitores de diferentes gerações.
O novo lançamento une a nostalgia dos fãs e, ao mesmo tempo, atualiza o universo literário de Paula. A protagonista, Juju – ou Juliana – , é uma adolescente de 14 anos já conhecida pelo público: é a sobrinha de Fani, a protagonista da tetralogia “Fazendo meu filme”. E, se em livros anteriores Paula Pimenta abordou outras paixões como filmes e séries, agora ela se aventura no mundo das melodias e dos acordes.
Apesar de o livero ser lançado em 2026, a ideia de uma série para Juju já existia desde 2012, quando a autora ainda concluía a história de Fani. “Eu sempre soube que queria contar mais da Juju, ela sempre teve potencial para ser protagonista”, conta. Porém, outras séries como a “Coleção princesas” – com releituras modernas dos contos de fadas – e “Minha vida fora de série” foram passando à frente.
A ideia sempre foi manter o universo tão amado pelos fãs, com histórias que se passam em Belo Horizonte. E desde 2012 para cá, a Juju precisou ser atualizada. “Quando eu comecei a pensar em escrever a história dela, ainda era o Orkut, depois o MSN, tive que ir acompanhando”, explica a autora.
Uma das marcas dos livros de Paula Pimenta é a inclusão de trechos de cartas, poemas e e-mails que, na época do lançamento de suas outras séries, era o principal meio de comunicação digital. Hoje, “A música da minha vida” conta com transcrição de mensagens de texto – e até áudios – do WhatsApp.
Os personagens também precisaram ser atualizados: “Eu não queria que eles ficassem parados no tempo”, conta Paula, ressaltando a importância da conexão com seus fãs – uma forma de saber o que é interessante ou não para seus livros e o que importa para os leitores.
“A música da minha vida” também conta com a participação de muitos dos personagens da família de Fani, que sempre foi um destaque para o público. O livro, inclusive, começa com o tão esperado casamento de Fani e Leo. E se antes era a protagonista de “Fazendo meu filme” que precisava ser aconselhada, agora é ela quem fornece conselhos para a protagonista.
Um pouco rebelde e um pouco Paula
Juju é fã de Taylor Swift, gosta de k-pop, é levemente rebelde e vive com os fones de ouvido. Ela é como milhares de adolescentes e, ao mesmo tempo, como a própria autora. “É uma personagem que tem muito de mim”, revela Paula Pimenta.
A paixão de Juju por música a leva, por exemplo, a aprender a tocar violão, algo que a autora também viveu durante a adolescência. Tanto que, mais tarde, Paula começou a dar aulas do instrumento. O processo e as dificuldades de aprender e entender as melodias que Juju enfrenta vêm muito da trajetória da própria escritora.
A protagonista é um pouco diferente de Fani e Priscila, outras personagens da autora, porque sua trajetória passa por outras questões. O livro mostra isso em uma narrativa cruzada, com flashbacks de quando Juju tinha 11 anos, o que fornece explicações para os leitores de por que aquela menina que aparecia como uma criança alegre se fechou tanto.
“Ela sofre bullying, tem uma briga feia com a melhor amiga e descobre coisas sobre a sua família, que causam essa rebeldia dela”, conta a escritora. Enquanto a narrativa se desenvolve, Juju também aprende a lidar com todas essas questões – algumas tão comuns na adolescência – e, claro, descobre que garotos podem ser um pouco complicados, marca registrada dos romances de Paula Pimenta.
Uma nova trilha sonora
Outro detalhe que ajuda a construir o mundo de Juju são os trechos de músicas que iniciam cada capítulo, algo que acontece também nas outras séries de Pimenta, mas com filmes e séries. Taylor Swift é uma das cantoras que mais aparece, já que é a preferida da personagem.
O gosto da protagonista é eclético: ela gosta de tudo, desde que tenha melodia. E mesmo estando sempre com seus fones de ouvido e uma playlist no celular, ela também inicia sua coleção de discos de vinil, voltando-se para o analógico.
O livro é uma oportunidade para os fãs matarem a saudade, como em capítulos do livro em que personagens como Alberto, Natália, Inácio e Cláudia aparecem deixando até mesmo Juju com vontade de ter sido amiga deles na adolescência.
Ao mesmo tempo, Paula expande com facilidade seu mundo cor-de-rosa, que nem sempre é tão cor-de-rosa assim, levando a protagonista para outras regiões, além de Belo Horizonte: a história de Juju se passa na região de Nova Lima e Retiro das Pedras, dando espaço para novos cenários e personagens surgirem.
Paula também discute alguns detalhes do planejamento da série, que a princípio deve ser uma trilogia. “Mas sempre acaba se expandindo, foi assim com ‘Fazendo meu filme’: viraram quatro livros e por pouco não foram cinco”, brinca.
Ela também está aberta à ideia de adaptar a nova série de livros, mas confessa ser ciumenta: “Eu sempre imagino tudo nos mínimos detalhes, então tenho um pouco de resistência”. Para ela, o processo precisa ter a sua participação ativa, como foi no caso da adaptação do primeiro livro de “Fazendo meu filme”, em que pôde participar da escolha dos atores, do roteiro, do figurino e das músicas.
“A música da minha vida” marca uma nova fase nas criações literárias de Paula, podendo ser lida de forma independente para os novos leitores ou como uma continuação para os antigos.
Sobre a autora
Natural de Belo Horizonte, a mineira Paula Pimenta já escreveu mais de 20 títulos, que têm mais de 2 milhões de exemplares vendidos. Sua estreia na literatura veio em 2001, com o lançamento da coletânea de poemas “Confissão”.
Ela ainda é autora das séries “Fazendo meu filme”, cujo primeiro livro foi adaptado para os cinemas e para HQs, e “Minha vida fora de série”, com previsão de lançamento do sexto livro em 2027. A autora também escreveu a série de livros “Coleção princesas” e três livros de crônicas.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

