
Babi Dewet está entre as atrações deste domingo da Bienal do Livro do Rio de Janeiro
Babi Dewet, 29 anos, é mais um nome das fanfics adolescentes que agora despontam nos livros. Não é à toa que ela compõe o time de autoras de “Um ano inesquecível”, lançado pela Gutenberg. Ao lado dela, estão as best-sellers Paula Pimenta e Thalita Rebouças, além da blogueira Bruna Vieira. Juntas, elas contabilizam mais de dois milhões de exemplares vendidos e arrastam multidões na turnê de lançamento Brasil afora. Só em Belo Horizonte, segundo estimativas da Livraria Leitura, havia mais de quatro mil fãs aguardando por um autógrafo das “estrelas” da literatura. O quarteto recebe os leitores para um bate-papo hoje, no encerramento do “Conexão jovem”, no último dia da 17ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Para a nova empreitada que ocupa a lista dos mais vendidos, segundo a “Veja”, cada autora criou um conto que se passa em uma estação do ano. A Babi, coube escrever tendo o outono como pano de fundo.
“O outono é poético demais. Tem aquela ideia de que, de dia, tem sol, à noite, pode estar chovendo, de dia, está calor, e logo depois vem um vento feio. Uma ideia de inconstância, de não saber exatamente o que vai acontecer. Acho que combina muito com música, que é o tema do meu conto”, diz Babi, desbancando qualquer existência de rivalidade entre as que disputam o gosto do público teen. “O livro não é uma competição, a gente sabe muito bem disso. Existe compartilhar leitores”, afirma ela, que é a convidada do ‘Sala de leitura’, da Rádio CBN Juiz de Fora. O quadro vai ao ar nesta segunda, às 14h30.
E seus leitores se identificaram com os textos das outras três? “Foi uma mistura bacana, porque um acaba conhecendo o outro e, às vezes, se interessando pela história do outro e conhecendo um estilo diferente de escrita. Recebi muitas mensagens de leitores delas dizendo: ‘Poxa, não conhecia você, não conhecia a Paula, não conhecia a Bruna e fiquei muito apaixonado pela sua história. Vou ler seus livros também'”. A carioca Babi Dewet tem formação em cinema, lançou-se na escrita independente com “Sábado à noite” e acaba de ser convidada pela Gutenberg para escrever a trilogia “Cidade da música”. Ela diz que o novo projeto vai começar a nascer somente depois da bienal.
Tribuna – “Um ano inesquecível” está entre os mais vendidos. Pelo jeito, foi um bom negócio da editora juntar vocês quatro em um só livro.
Babi Dewet – Acho que tem ajudado no crescimento da literatura nacional. Está lá em segundo lugar de mais vendidos da “Veja”, mostrando que o jovem lê muito. Nem a ideia de crise o impede de ler.
– As editoras resolveram investir pesado na literatura jovem para driblar a crise da bienal. O público deste ano realmente é juvenil?
– Está sendo a bienal do jovem. Você anda e vê mais jovens, os próprios autores são jovens, os convidados internacionais também são voltados para esse público. Isso só tem mostrado que, cada vez mais, o jovem lê.
– Que termômetro você usa para saber se conseguiu dar certo nesse ramo?
– Desde que comecei a escrever, venho para a bienal e fico todos os dias, acompanho do começo ao fim, fico vendendo meus livros. E essa bienal é a primeira que eu não consigo andar. As pessoas param para tirar foto, conversar, assinar livro. Isso nunca tinha acontecido nesta proporção antes.
– Há pouco tempo, você era uma escritora independente e agora é convidada por uma editora para lançar uma trilogia. Essa mudança te pressiona na hora de criar?
– Lancei o primeiro “Sábado à noite” independente, e logo depois a Évora me convidou para fazer o “Sábado à noite 1, 2 e 3” pelo selo Generale. Agora, ser convidada para fazer a nova trilogia, obviamente, tem essa pressão, as pessoas te olham de forma diferente, esperam algo de você. Mas é uma pressão muito gostosa, de leitores que estão a fim de ler coisas suas. A própria editora e os editores gostam do que eu escrevo, com isso a gente fica empolgada.
– Você já vive da venda de livros?
– Tenho conseguido viver com a venda dos livros sim, mas, obviamente, tenho os trabalhos extras. Faço eventos, vídeos para o YouTube que também ajudam. Tem sempre algo complementar, porque não é um salário mensal que você recebe exato e tudo o mais. É um processo.
– Criar para esse universo adolescente te traz muitas críticas pelo tipo de literatura que escreve?
– A gente acaba sofrendo esse tipo de preconceito por escrever para jovens, porque muita gente acha que não é literatura, não muda a vida de ninguém. Na verdade, a gente recebe mensagens de leitores dizendo como nossos livros mudaram a vida deles de alguma forma, como nossos livros os fizeram enxergar a adolescência, os fizeram enxergar a si mesmos. Independentemente de ser uma literatura cult ou não, ela leva, sim, alguma coisa para o jovem. Como conversa diretamente com o jovem, ela é muito importante. A gente tenta mostrar que é importantíssimo que o jovem leia literatura para jovem, ele precisa passar por isso, porque é uma fase muito gostosa, e ele precisa se identificar com o que ele está lendo.
– Você entrou nesse mundo da literatura por ser um filão ou por que gosta mesmo de estar nele?
– Eu gosto, eu escrevo o que gosto de ler. Até hoje, gosto de ler literatura infantojuvenil. Trabalhei durante muitos anos com jovens num curso que tenho no Recreio de reeducação de adolescentes, trabalhei na internet com fanfics. Por isso, entendo muito mais desse mundo, gosto mais do discurso dos jovens, até das respostas imediatas que eles dão dos livros. Os jovens gostam de dizer o que acham, mostrar o que eles pensam.

