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Nem só rock nem só Rio

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"Vendo ingresso para o dia do Justin Timberlake." "Compro entrada do dia do David Guetta." "Alguém aí vai no Rock in Rio?" Se antes o burburinho era restrito às rodas de conversa, o grande alcance das redes sociais na atualidade e a reincidência do assunto entre os usuários delas não deixam dúvidas: é tempo, de novo, de Rock in Rio. Nem só "rock" nem só "Rio", o festival criado em solo carioca que começa hoje e vai até o dia 22 também tem edições em Portugal e na Espanha, e já trouxe ao Brasil, ao longo de 30 anos, grandes ídolos do rock e do pop internacional – entre outros gêneros -, além de grandes artistas da cena nacional.

Se a média de 20 shows por dia – divididos em quatro palcos, diversos estilos musicais, grandes estrelas e artistas menos conhecidos – a R$ 260 (inteira) parece ser um forte atrativo para o público, a própria participação no festival, considerado um dos maiores do mundo, é chamariz por si só para a venda de ingressos, que tradicionalmente se esgotam nas primeiras horas de venda.

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Para o doutorando em comunicação pela Uerj Flávio Lins, que tem o Rock in Rio como objeto de estudo, o megaevento acabou se tornando uma "marca do coração". Ele aponta que, além de licenciar diversos produtos nem sempre relacionados diretamente à sua natureza, o festival conquistou também um valor imaterial junto ao público. "Só esse ano, mais de 600 produtos foram licenciados, como automóveis, gomas de mascar, alimentos, bebidas, espetáculo musical, games e muitos outros. E mesmo com mais de 30 anos, o festival ainda consegue vender ideais relacionados à juventude. As atualizações e desdobramentos da marca atuam para que ela seja "eternamente jovem". E quem não quer entrar nessa onda, ainda que por alguns instantes?"

Flávio destaca, ainda, que o slogan "Por um mundo melhor" ajuda a fortalecer a imagem positiva do Rock in Rio, aliado a campanhas educativas e outras iniciativas. "Em Portugal, por exemplo, o festival chegou a instalar aquecedores e coletores de energia solar. Este ano, no Rio, a campanha é para que o lixo, um dos grandes problemas para a edição brasileira, seja jogado nas lixeiras."

 

 

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JF in Rio

 

Se a ideia é comercializar o "eu vou", alguns juiz-foranos aguardam de ingresso na mão. É o caso do universitário Yuri Fernandes, que aporta na Cidade do Rock, ainda hoje, para ver o show da diva pop Beyoncé. "Eu iria para falar "Rock in Rio: Eu fui", só para ser mais um no meio da multidão e poder viver aquele momento. Mas coincidiu que fecharam com a Beyoncé, e isso foi algo que me motivou ainda mais", conta o jovem, que, como muitos, teve dificuldade para comprar seu passaporte no site oficial do megaevento." Fiquei tentando comprar pelo site, e nada. O pior de tudo é que tinha combinado de ir com um amigo, e ele já tinha conseguido comprar. Por sorte, no começo de agosto, um conhecido desistiu de ir e me ofereceu o ingresso pelo mesmo preço que havia comprado."

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O amigo de Yuri em questão, Matheus Freitas, comemorou a desistência, já que, para ele, viver a experiência do Rock in Rio ao lado de alguém próximo faz toda a diferença. "Já fui a outro festival de música sozinho e, apesar de conhecer pessoas durante o show, senti falta de alguém realmente conhecido para ficar esperando na fila, comentando do show e, principalmente, relembrar o momento depois que ele acaba."

Já para a jornalista Michelle Cafiero, estreante no festival, a participação em um evento musical destas proporções tem uma relevância cultural intrínseca. "Desde a edição passada, quando acompanhei tudo pela TV e pela internet, fiquei muito empolgada e com vontade de saber como é a emoção de estar lá, sentir a vibração das caixas de som, uma experiência que vai além do entretenimento", conta ela, que espera com ansiedade os shows nacionais do Palco Sunset no dia 21, sábado, com artistas como Fernanda Abreu, Lenine e Roberta Sá. "Já estou com alguns CDs no meu celular e no pen drive do carro, para entrar no clima. Quando vou a shows, gosto de cantar junto do início ao fim."

 

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Valor imaterial e do bolso

Se a possibilidade de um "eu vou" motiva os calouros do evento, a certeza conquistada por um "eu fui" em edições passadas faz com que muitos retornem à Cidade do Rock, como o editor de vídeo Bruno Stephan. "Na primeira vez que fui, quis ver atrações específicas, mas tive um dia tão agradável lá dentro que decidi que voltaria independentemente da programação. É um ambiente legal para quem gosta de música e uma oportunidade de conhecer coisas novas, além de ver o que já é famoso."

Uma das críticas feitas ao festival, entretanto, é o preço salgado dos produtos tão "exclusivos", como alimentos e bebidas no interior da Cidade do Rock. "Cada copinho de água, na última edição, custava algo em torno de R$ 5, e eles não deixavam entrar com nada que tenha sido comprado do lado de fora. É um absurdo porque são produtos que não agregam valor ao festival, e as pessoas terão que comprar, principalmente para aguentar a maratona puxada de shows."

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