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Som afro-brasileiro

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O objetivo era um só e se resumia a um único dia: reproduzir com fidelidade a música do saxofonista nigeriano Fela Kuti no Fela Day, evento internacional, realizado em 2009, para celebrar o nascimento do músico africano. Porém, do "encontro feliz" – tradução de Abayomy, língua falada na Nigéria e utilizada nos rituais de candomblé no Brasil, – de 13 músicos, nasceu um ritmo eletrizante, que, há três anos, mistura o estilo nigeriano high life a elementos do jazz e da black music, músicas brasileira, latina e africana, cânticos em iorubá, gafieira e os batuques dos terreiros e do samba. O resultado é a salada musical da Abayomy Afrobeat Orquestra, que se apresenta, em Juiz de Fora, com participação do rapper BNegão, nesta quinta-feira, no Cultural Bar, a partir da meia-noite, integrando a programação do projeto "Orquestras cariocas". Na ocasião, a banda lança seu primeiro CD, cujo nome é "Abayomy".

Pela primeira vez na cidade, Alexandre Garnizé (percussão e voz), Rodrigo La Rosa (percussão), Cláudio Fantinato (percussão), Thomas Harres (bateria e voz), Donatinho (teclado e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Victor Gottardi (guitarra e voz), Pedro Dantas (baixo), Mônica Ávila (sax alto e voz), Fábio Lima (sax tenor e voz), Thiago Oliveira (sax barítono) Leandro Joaquim (trompete e voz) e Marco Serragrande (trombone)prometem uma batida de "enlouquecer" o público. "Nossos arranjos não são simples, são orquestrais, são complexos. Tem muitas introduções, interlúdios e solo. Os instrumentos conversam uns com os outros. É muito forte, todo mundo tocando no palco junto, é muito grande, é muita gente, é muita pressão sonora", diz o guitarrista Victor Gottardi.

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Além das pretensões musicais

Conforme Gottard, a vontade de tocar este gênero, até então pouco difundido no Brasil, surgiu a partir de um convite do percussionista Alexandre Garnizé e do baterista Thomaz Harres, que estavam antenados com o som e o engajamento social do músico nigeriano."Fela Kuti criou este gênero musical nos anos 70 e hoje ele está se espalhando pelo mundo todo. Ele era único no que fazia, era um homem político, brigou muito a favor da liberdade de seu povo e contra a ditadura da Nigéria. Atualmente, pessoas de várias partes do globo estão pesquisando a vida dele e o que ele fazia musicalmente. Está tendo uma "onda" de afrobeat", destaca Victor, acrescentando que a influência cultural dos 13 integrantes, sendo um da França e 12 de várias cidades do Brasil , contribui para a variedade musical apresentada pela orquestra. Como influências brasileiras, ele ressalta Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Marku Ribas, Moacir Santos e Dom Salvador.

 

Discurso engajado

Após três anos de formação da banda, o primeiro CD chega às lojas. Produzido por André Abujamra, o disco foi gravado graças a um projeto de crowdfunding, promovido pela Embolacha (site que promove financiamento coletivo). Mais de cem fãs contribuíram para a prensagem dos discos (CD e vinil), além dos custos com arte e divulgação. Como repertório, o álbum traz trilha sonora marcada por discurso a favor das igualdades sociais e raciais aliado ao sincretismo religioso brasileiro. "Para Juiz de Fora, levaremos canções do nosso CD e releituras de canções de artistas que admiramos. Sobre a participação de BNegão, posso dizer que ele é praticamente da banda. Somos vizinhos aqui no Rio, e ele está sempre nos nossos shows. Fazemos uma verdadeira bagunça no palco."

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Na mesma noite, o artista plástico Lúcio Rodrigues assina a exposição "Anguzada misturada", na Galeria Dnar Rocha, no mezanino do Cultural Bar, e ainda realiza a intervenção artística de arte em grafite. Além de peças inéditas, ele apresenta obras que fazem parte dos seus 35 anos de carreira, com temas como "7 pecados capitais", "As mulheres de Nelson Rodrigues", "Punk", "Erótica" e "Anguzada". Para a confecção dos trabalhos, Lúcio utilizou não só as tradicionais pinturas na tela como também capô de automóvel, porta de geladeira, lona e chapa de computador. O encerramento do show fica por conta da banda Babylon Brasil.

 

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ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA

Hoje, à meia-noite

Cultural Bar

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(Av. Deusdedit Salgado 3.955 – Salvaterra)

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