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Entrevista/BNegão, rapper

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‘Trabalhamos no estilo guerreiro’

Após passar por Londres para apresentar a canção Maracatu atômico, música de Jorge Mautner e Nelson Jacobina que foi sucesso com Chico Science & Nação Zumbi, na festa de encerramento dos Jogos Olímpicos, o rapper BNegão segue com a divulgação do seu mais recente trabalho intitulado Sintoniza lá, gravado com a banda Os Seletores de Frequência. Conhecido por suas canções fortes e reflexivas, o músico se mostrou surpreso por participar de uma cerimônia que tem como tradição receber artistas populares e reconhecidos internacionalmente.

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Tribuna – Como foi receber o convite para participar da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres?

Bnegão – No começo, achei que era um trote criativo. Pensei que estavam brincando comigo, mas resolvi entrar na deles. Respondi aos quatro primeiros e-mails achando tudo engraçado. Fui levando meio que na brincadeira. Depois, quando passamos para a reunião, e eu vi a Daniela Thomas, que já tinha trabalhado comigo, e o Cao Hamburguer – responsáveis pela direção da apresentação brasileira na cerimônia- é que percebi que a coisa era séria. A galera me mostrou todo o plano de ataque, e eu resolvi encarar.

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– Você acha que o Brasil está preparado para sediar um evento tão grandioso?

– Fazer um espetáculo grandioso é mais do que fácil para o Brasil, porque ele está acostumado a fazer tudo em grandes dimensões. Eu tenho dúvidas de que vá rolar algo daquele tipo, acho que vai rolar alguma coisa mais puxada para Ivete Sangalo e Michel Teló. Imagino algo mais radiofônico e maracanânico. Já a infraestrutura vai ser caótica. Dizem que o país vai se preparar a tempo, mas, nesse quesito, as coisas são complicadas por aqui. Era para ter dado tudo certo no Pan-Americano, e não rolou o que tinha que acontecer. Se não aprenderam nada ainda, os organizadores têm até lá para mostrar trabalho. Eu torço para que dê tudo certo, porque quero curtir, sair, andar, ter uma vida normal no meio dessa parada, senão, me mudo para Rondônia.

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– O seu disco com Os Seletores de Frequência foi lançado em junho, quase dez anos após o álbum de estreia. Porque esperar tanto tempo para gravar?

– Estamos muito felizes com o CD, porque está sendo considerado um dos melhores lançamentos do ano. Estamos concorrendo no VMB como melhor disco da MTV, vários jornais do Brasil estão dando destaque para ele, e a galera está comparecendo nos shows, que é a melhor parte. As músicas foram feitas muito antes das letras. A demora se deve ao excesso de trabalho. Nos últimos quatro anos, tenho feito mais show do que na época do auge do Planet Hemp. Com tanto corre-corre, não estava dando tempo para gravar. Normalmente, quando o artista vai lançar um disco, ele para tudo, mas, como estamos sempre na ralação, trabalhamos no estilo guerreiro. Não dá para se dedicar somente ao disco. Se os dias gastos com a gravação fossem corridos, teríamos feito tudo em, no máximo, três meses.

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