Durante nove dias, a cidade se dividiu entre o choro e o riso. Artistas e público ocuparam ruas, praças, museus, auditórios e outros espaços para saudar a poesia que sai do livro e se faz humana, como diria o dramaturgo Federico García Lorca. O 5º Festival Nacional de Teatro, encerrado no domingo, reuniu mais de dez mil pessoas, segundo a assessoria da Funalfa. No total, 22 espetáculos estiveram na programação, e 12 deles participaram da mostra competitiva. Pouco antes da apresentação ao ar livre de "Till, a saga de um herói torto", do mineiro Galpão, os prêmios foram entregues em cerimônia no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). A chuva fina não atrapalhou os momentos finais do evento, que destacou, na categoria adulto, a montagem "O que fazem as meninas quando desabrocham?", do grupo carioca Okearô de Teatro Independente, e na categoria infantil,"Gran Circo Internazionale e a saga dos heróis desconhecidos", do Grupo Zibaldoni, de Ribeirão Preto (SP). A primeira abocanhou sete troféus, e a segunda, seis (ver quadro).
Segundo o superintendente da Funalfa Toninho Dutra, a quinta edição do festival – aberta com o contemporâneo "Savana glacial", do carioca Grupo Físico de Teatro – chamou a atenção pela variedade de atrações e estilos: comédia, drama, clown, absurdo, poesia. Além das mostras competitiva e de convidados, o público pôde conferir quatro montagens no circuito off, um seminário, cinco oficinas, uma festa de confraternização e uma mostra de curtas performances. "O evento vem construindo sua história. Dessa vez, ressaltamos a troca de experiências entre os participantes, bem intensa." Outra questão que chamou a atenção de Dutra foi a presença da plateia. "A resposta foi surpreendente." Para o publicitário Leandro Ruhena, 36, que compareceu a quase todas as apresentações, os espectadores locais demonstraram respeito e interesse pela arte. "O festival também é importante para a formação de público." Como nada é perfeito, durante a sessão de "Till", um espectador lançou moedas e papel amassado contra o palco. Experientes, os atores do Galpão souberam lidar com o imprevisto.
Destaque para dramaturgia
Outra peça que agradou o corpo de jurados – composto pela produtora Joice Rodrigues, de Campinas (SP); pelo ator e artista plástico Cláudio Márcio, de Belo Horizonte; pela atriz Renata Rodrigues e pela jornalista Fernanda Fernandes, ambas de Juiz de Fora; e pela atriz carioca Ludmila Wischansky – foi "Arquivo vivo", do Grupo de Teatro Farroupilha, de Ipatinga (MG). Além de conquistar cinco troféus, a trupe ficou com o prêmio destaque, oferecido por sua pesquisa dramatúrgica. Satisfeito, o ator da companhia Didi Peres, escolhido como o melhor do festival, dedicou seu prêmio aos outros intérpretes que estiveram em cena entre os dias 3 e 11.
Gente daqui
Ao final da premiação, Toninho Dutra abriu espaço para críticas a serem enviadas para a Funalfa. "Já estamos pensando no próximo ano. Queremos saber o que está dando certo e o que precisa ser ajustado." Conforme observa a atriz e autônoma Márcia Rocha, 36, presente nos espetáculos "O minto das Labdácias", "Biliri e o pote vazio" e "R&J de Shakespeare – juventude interrompida", a pequena participação de grupos locais é um ponto que merece reflexão. A única representante da cidade foi a peça infantil "Alice", do GTMG/Cia. Tralha, que ficou com os prêmios de melhor atriz e ator coadjuvantes.
De acordo com Dutra, houve apenas quatro inscrições locais, sendo que uma teve problemas técnicos. "Entretanto, tivemos três apresentações daqui, apoiadas pela Lei Murilo Mendes, no circuito off. A mostra competitiva não é a única", analisa o superintendente, considerando importante o diálogo com manifestações de fora. Ele também salienta a existência de outras propostas voltadas exclusivamente para a produção juiz-forana, como o Festival de Cenas Curtas.
