
Espelho d’água teve as laterais pintadas de amarelo
Em maio deste ano, ele completou 60 anos. Mas ao contrário de um amadurecimento tranquilo, o que ele está recebendo são pichações, desrespeito, lixo e rachaduras. A situação do Marco do Centenário da Praça da República, no Bairro Poço Rico é recorrente e vem sendo acompanhada pela Tribuna, em diversas matérias publicadas. Agora, outra questão envolve o monumento. Recentemente, o espelho d’água que contorna o painel teve sua lateral pintada de amarelo, no mesmo tom utilizado nos pés dos bancos da praça, cujos assentos receberam tinta azul escura. Além disso, as pedras dos canteiros foram pintadas de branco.
Por ser um bem tombado, qualquer alteração ou reforma no monumento e seu entorno deve ser previamente autorizada pelo órgão que aprovou o tombamento, no caso o Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). Entretanto esta alteração foi feita sem a devida solicitação ou aprovação, de acordo com o chefe do Escritório Técnico do Iphan de São João del Rei, Mário Felisberto, que responde pelo instituto na região. Ele afirmou que o órgão já está tomando providências para acionar a Prefeitura de Juiz de Fora. "A pintura tanto do espelho d’água quanto dos bancos está incorreta, pois as cores interferem negativamente no cenário e comprometem a visualização do monumento." Mário informou ainda que, desde 8 de junho, a entidade espera da Prefeitura a resposta às adequações solicitadas no projeto de revitalização do espaço. Segundo o Secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, assim que receber o comunicado, a PJF irá realizar as mudanças necessárias para dar continuidade ao projeto.
De acordo com o diretor de Divisão de Patrimônio Cultural (Dipac) da Funalfa, Paulo Gawryszewski, a entidade também não teria sido informada da intervenção. O diretor afirma que será necessária a remoção da tinta.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Obras informou que a a pintura do espelho d’água foi um equívoco do funcionário que realizou a obra. Ele teria considerado a área como meio-fio e aplicou a tinta. A pasta informou que o serviço foi supervisionado por um encarregado da equipe de pintura, sem a consultoria de uma pessoa especializada e com conhecimento sobre bens tombados. A assessoria garantiu que a remoção será feita em um prazo de aproximadamente 30 dias.
A arquiteta Mônica Olender, uma das responsáveis pelo projeto de readequação da Praça da República requisitado pela Prefeitura, aponta a importãncia de não apenas restaurar o marco, mas criar novas formas de utilização do espaço como um todo. "Um local que está sendo cuidado inibe vandalismo. Em função da necessidade de manutenção, a revitalização é primordial." A arquiteta é contrária ao gradeamento do monumento, alternativa já pensada para a proteção do mesmo, pois a medida poderá comprometer sua apreciação pela população.
O marco foi criado como um presente para a cidade em 1951 e guarda os traços modernistas do arquiteto Arthur Arcuri e a arte de Di Cavalcanti, sendo o primeiro monumento não figurativo executado no Brasil e o primeiro mosaico modernista situado em praça pública.

