
Organizadores da publicação, Flávio Lins, Ricardo Freitas e Maria Helena Carmo têm a intenção de estimular a pesquisa no assunto (Fotos divulgação)
“Quando a gente fala de um megaevento, estamos falando de multidões emocionadas. É algo que está entre a emoção e o negócio. O Círio de Nazaré é fé, são pessoas fazendo promessas. No réveillon do Rio, há muitas histórias lindas de amor. Nas Olimpíadas, tem muito choro”, reflete Flávio Lins, organizador, ao lado dos também pesquisadores em comunicação Ricardo Ferreira Freitas e Maria Helena Carmo, de “Megaeventos, comunicação e cidade” (CRV, 408 páginas), prefaciado por Muniz Sodré. A publicação será lançada nesta quarta-feira, às 19h, no Museu de Arte Murilo Mendes.
Voltado para qualquer pessoa que se interesse pelo assunto, segundo Lins, a obra é dividida em três partes. Na primeira, os estudiosos reuniram textos que exploram o conceito de megaeventos, os desafios e a proposta de legado e conflitos sociais. Na segunda, eles trazem os diversos eventos que ocorrem pelo mundo, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. A terceira é dedicada aos grandes eventos no Brasil. “Quando começamos o trabalho, esse campo de pesquisa ainda não era desenvolvido no Brasil. Dessa forma, achamos importante ter uma primeira parte teórica. Tivemos a oportunidade de ter contato com os maiores pesquisadores do mundo”, conta Lins, ressaltando que a obra reúne pesquisadores que refletem sobre o tema pela ótica da sociologia, comunicação, economia, direito, geografia, educação física, ciência política, arquitetura e urbanismo.
De acordo com o pesquisador, “Megaeventos, comunicação e cidade” nasceu de discussões realizadas no Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). “A gente quer consolidar um campo de pesquisa, mas se o leitor comum pegar nosso artigo de carnaval de rua do Rio de Janeiro, por exemplo, vai ver que o texto é uma delícia”, afirma Lins, destacando a urgência em se discutir o assunto, principalmente, às vésperas dos Jogos Olímpicos.
“Antigamente, para andar, as cidades dependiam das empresas, que hoje estão concentradas na Ásia, na China e na Índia. Em decorrência disso, elas ficaram com grandes estruturas desativadas, com caixa baixo e com muitos desempregados. Com os megaeventos, você tem a oportunidade de gerar um número expressivo de empregos em pouco tempo, promover reformas no espaço urbano, colocar a cidade na vitrine e achar uma vocação para ela. De repente, você cria um festival de cinema para uma cidade e consegue dá uma cara nova para ela”, afirma o pesquisador.
Se por uma lado os grandes eventos trazem resultados positivos, também podem deixar impactos negativos, como corrupção, gentrificação, inflação e violação de direitos. Problemas que não são exclusivos do Brasil. Tomando como base o exemplo brasileiro, o pesquisador destaca que, nos próximos meses, “o espetáculo que vai acontecer dentro das arenas, certamente será lindo”, porém é preciso vivê-lo com antecedência, dada a sua complexidade. “Juiz de Fora está tendo uma oportunidade bacana. Mas, para deixar uma semente boa, uma cidade e um país têm que começar a viver isso desde sua candidatura. As escolas, as universidades tinham que estar trabalhando nisso, inclusive, como negócio. Tínhamos que ter cursos voltados para o tema. Ressalto que a gestão desses eventos é desafiadora mesmo para países que já sediaram outras vezes. Apesar disso, é importante dizer que esses grandes eventos são essencialmente positivos.”
MEGAEVENTOS, COMUNICAÇÃO E CIDADE
Lançamento de livro
13 de julho, às 19h
Mamm
(Rua Benjamin Constant 790 – Centro).

