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Para o alto e avante!

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Sem pudores, sem censuras, sem frescura. É essa a melhor forma de definir Motel maravilha, quinto disco solo do baixista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos. Com 11 faixas, o disco transborda intimismo em letras compostas, em sua maioria, na primeira pessoa, de forma quase confessional, mas sempre vibrante e com linguajar sem rodeios, flertando com o coloquialismo e o bom-humor. Quis fazer um disco mais festeiro, para cima, apesar de tratar de temas profundos. Isso se reflete nas letras irreverentes e no lado instrumental, que é bem para cima, conta o músico em entrevista à Tribuna.

Workaholic assumido, Rodrigo tem o dedo em diversas etapas da produção do disco. Gosto de participar de tudo, cheguei até a fazer uma ilustração com imagens e o nome das músicas, que vem na contracapa, e participo também da divulgação, da agenda de shows, de tudo. Essa dedicação já havia aparecido em seus trabalhos anteriores e culminou na criativa Kombi elétrica, projeto em que Rodrigo divulgou as canções do álbum Waiting on a friend, de regravações em inglês, em cima do veículo.

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A empreitada deu tão certo que acabou virando DVD, com gravações revezadas no topo da Kombi (estacionada na Praia do Arpoador) e no Teatro Ipanema, com participações do calibre de Ney Matogrosso, Frejat, Isabela Taviani, Leoni, Evandro Mesquita, Leo Jaime, Milton Guedes, Pepeu Gomes e Chris Pitman (tecladista do Guns N’Roses). Tudo com direção geral e produção musical feitas por Rodrigo. Motel Maravilha é o primeiro trabalho depois deste, e, nele, Rodrigo decidiu ter seu foco apenas na música.

Deixei a produção nas mãos do Nilo Romero, que ia produzir uma música só, mas gostou tanto do disco que quis assumir tudo. Com isso, pude me concentrar em ser cantor e compositor e fiz uma tabelinha muito bacana com o Nilo, que deu alguns pitacos nas composições, ajudou a escolher palavras e tratou todo o instrumental.

O resultado é um disco ágil e imprevisível como o próprio compasso da vida, mas com faixas intensas e contagiantes. A música-título, um sambinha irreverente, é fruta da parceria de Rodrigo com George Israel, do Kid Abelha, e com Mauro Santa Cecília, habitué nos créditos do Barão e do Frejat solos. É a mais antiga, de uma época em que a gente se reunia para compor, com uma folha branca mesmo, e as letras saíam de papos que a gente tinha. Essa foi uma delas, relembra Rodrigo.

Seis outras são assinadas apenas pelo baixista, que no disco é muito mais cantor e repassa o instrumento cativo – assim como a produção- a Nilo Romero. No bate-bola, também entram passes de Fernando Magalhães, colega de Barão, e o do baterista Kadu Menezes, além de um craque internacional: Andy Summers, ex-Police, parceria na letra e guitarra em Me dê um dia a mais.

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As influências musicais bebem em diversas fontes, aos traços de ska em Me abraça agora ou nunca mais (que inicialmente era mais punk rock, conta o artista), ao rock rasgado de Remédio (que destila angústia na busca por cura em frases como Remédio pra nascer/ Remédio pra morrer/ Remédio pra viver/ Sem encarar os fatos). Na minha loucura musical, entra punk, rock, balada, samba, tudo. Já chego com a música montada na voz e violão. Depois vai entrando um pianinho, um violino, uma batera, um eletrônico, o que vier. Tudo que engrandece a música está valendo.

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