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Vencer ou morrer

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Uma fábula para adultos. E adultos sem medo de se surpreenderem e encontrarem pelo caminho todo o realismo por qual já passou a humanidade. No primeiro volume de As crônicas de gelo e fogo, intitulado A guerra dos tronos, livro escrito por George R. R. Martin, o leitor já encontra assassinatos, abortos, infanticídio, traições, sexo e um pouco de fantasia.

O caldeirão de ideias de Martin já rendeu mais de 15 milhões de exemplares vendidos no mundo. De acordo com Pascoal Soto, diretor editorial da Leya Brasil Editora (responsável pelas edições brasileiras), 850 mil cópias já foram vendias no país. A editora já lançou outros três volumes: A fúria dos reis, A tormenta de espadas e O festim dos corvos. A série deve contar com sete títulos no total. Para a legião de fãs que já não aguenta mais esperar pelo desenrolar da trama, Pascoal adianta que o quinto volume, A dança dos dragões, já está nas mãos da editora e deve ser lançado ainda este ano. Alguns sites estão, inclusive, fazendo a pré-venda da publicação.

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O sucesso, porém, transpôs as páginas de cada volume e chegou à TV. A rede americana HBO está levando para as telas a adaptação da saga em forma de série de TV, que está em sua segunda temporada, sendo exibida sem atraso, aos domingos, pela emissora no Brasil.

Na trama em Westeros, mundo criado por Martin em que as estações duram anos, o inverno se aproxima depois de um longo verão. O reino, dividido em sete territórios controlados por grandes casas, está sendo governado pelo rei Robert Baratheon, mas isto não é sinal de paz. Quando Lorde Eddard Stark, senhor da casa Stark, recebe a visita de Robert chamando-o para ocupar o prestigioso cargo de mão do rei, não imagina que sua vida e de sua família está prestes a entrar em um espiral de tragédias. Em meio a intrigas e jogos de poder e ambição, o jogo dos tronos acontece. Em guerra, os sete reinos ainda precisam enfrentar a sombra que vem do Norte e a ameaça de Daenerys Targaryen, descendente da antiga dinastia que governava Westeros.

‘Boca a boca digital’

Para Pascoal, um dos motivos para o sucesso editorial está fora das páginas impressas. O dirigente destaca a internet como fator que contribuiu para o que ele chama de boca a boca digital. Nenhuma saga conquista o sucesso se não for de qualidade. Foram criados muitos fóruns de discussão sobre o livro e a série, e o público foi levando em consideração as opiniões dos amigos na rede e ‘criou coragem’ para encarar as milhares de páginas. Os livros variam de 592 páginas no primeiro volume a 884 no terceiro.

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O publicitário Filipe Machado é um desses fãs que chegou ao livro pela internet. Conheci a saga por amigos que começaram a ler os livros antes de a série televisiva ser filmada. Até então achava que era uma cópia barata da obra de Tolkien (autor de ‘O senhor dos anéis’) até assistir ao primeiro episódio na TV. Desde então não consegui parar mais. Para acompanhar esta e outras séries e livros, o publicitário criou o grupo Discutindo filmes e séries, no Facebook. A ideia é trocar informações sobre a trama. Uma das integrantes do grupo, a jornalista Mahina Fava também partiu da web para a TV. As relações humanas e as disputas pelo poder são o centro das histórias. A fantasia vem como um complemento.

Outra chave para o sucesso apontada por Pascoal está na sacada de Martin ao enxergar um nicho de público adulto carente de tramas do gênero. O autor foi extremamente corajoso ao criar uma fantasia deste nível com sua imensa quantidade de personagens. Quando você acha que aquele é o principal, ele cria uma virada na trama, e o personagem é preso ou morre.

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A grande reviravolta de tramas e a temática adulta foram pontos que atraíram para a saga o professor Carlos Stopato. Como bom fã de fantasia medieval e alucinado por Tolkien, a divulgação on-line sobre o lançamento da série pela HBO bastou para despertar meu interesse. Me chama bastante atenção a quantidade expressiva de personagens dúbios, sem lealdade clara, que se demonstram chaves na trama formando um verdadeiro ninho de cobras. Para o veterinário Daniel Navarro, o surgimento constante de novos personagens também contribui para cativar os leitores. Sabemos exatamente o valor de cada um deles, e sempre terá alguma surpresa, deixando os personagens que gostamos na pior. Porém, a maneira como eles superam os desafios e vencem seus dilemas nos deixa sempre de lágrimas nos olhos. Cada capítulo é contado do ponto de vista de um personagem, onde rimos, choramos e tiramos mensagens de força e superação. Talvez seja esse o tempero que produza uma história tão boa.

Logo que os primeiros livros de Martin surgiram, sua série foi, inevitavelmente, comparada à trama de O senhor dos anéis, de J.R.R.Tolkien, considerada por muitos a melhor obra de fantasia que já existiu. Porém, Pascoal descarta comparações entre elas. As duas obras têm a mesma ‘altura’. São duas obras obrigatórias para quem gosta do gênero e de grandes sagas. Tolkien investiu mais na fantasia, enquanto Martin optou por personagens mais humanos e tramas mais políticas.

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