Ícone do site Tribuna de Minas

É tudo surreal

(Foto: Leonardo Costa)
Éderson Pedrosa reflete sobre o ser humano e seu cotidiano (Foto: Leonardo Costa)
PUBLICIDADE

Entre devaneios e fugindo do real, o juiz-forano Éderson Pedrosa leva até suas artes as influências que começaram a ser absorvidas através de Jean-Michel Basquiat, Frida Khalo, Joan Miró, Paul Klee e Salvador Dalí. Com 22 anos, graduado em design de móveis pelo Instituto Federal de Educação e Tecnologia (Ifet), o artista começou a estudar movimentos como renascentismo, dadaísmo, cubismo e surrealismo quando ganhou três telas de pintura, criando sua primeira arte aos 20: “Cabeça de homem e corpo de mula”.

A estreia nas artes já revelava o desprezo à lógica e uma relação mitológica de duas raças em substâncias consistentes. “É abstrato, o pintor procura um tema, mas deixa sua mão escorrer livremente, saindo da sua cabeça e deixando o mundo real se transformar em surreal. O surrealismo é uma coisa que não tem uma lógica”, explica.

PUBLICIDADE

Éderson abriu sua segunda mostra no Espaço Cultural Correios, “Arte surrealista”, reunindo 28 quadros . Com menos de dois anos no mercado, diz ter convite de curadores para apresentar seu trabalho em São Paulo, na Noruega e nos Estados Unidos. Ao lembrar pintores consagrados, como Salvador Dalí, o juiz-forano conta que foi descoberto nas redes sociais e que o sentimento por ter um início como esse é gratificante. “Atualmente as oportunidade são melhores, se você for a São Paulo tem várias galerias e museus. Na época do movimento surrealista, artistas consagrados foram ter essas chances com 30 anos para cima, eles demoraram e precisaram de uns cinco anos para conseguir sua primeira exposição.”

“Coisas surreais”

Nas telas, entre combinações da vanguarda surrealista, expressões e narrativas se arrastam com os traços de tinta acrílica. Em uma de suas obras, Pedrosa expõe a pretensão do ser humano, que estaria cada vez mais buscando ser melhor do que o outro. Intitulada como “O homem criativo”, a pintura representa a consciência irracional despejada, sem um fim. “Vemos a cabeça dele com uma forma que não tem fim.

O ser humano sempre procura mais, ele não tem o ponto final. Os três olhos são o retrato da visão do além que ele constrói e acredita. E, na boca, digo que ele está entediado, buscando ter uma credibilidade maior que o outro. Já no queixo, a realeza e o financeiro revelam que ele nunca está satisfeito com o que tem”, explica.

Na obra “Pôr do sol”, o juiz-forano revela na arte o cotidiano de uma sociedade. As montanhas retratadas teriam um formato do pôr do sol e estariam juntas em um movimento de pessoas transitando pela rua, algumas praticando esporte. “Os golfinhos estão acordando, e uma mulher está caminhando pela via com salto alto”, detalha.

PUBLICIDADE
Em “Pôr do sol”, o juiz-forano revela o cotidiano de uma sociedade (Foto: Leonardo Costa)

“Arte surrealista”
Pinturas de Éderson Pedrosa. De segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, no Espaço Cultural Correios (Rua Marechal Deodoro 470).
Até 28 de abril

Sair da versão mobile